Produção global de biocombustíveis pode crescer quase 70% até 2030

A produção global de biocombustíveis deve registrar forte expansão até 2030, com possibilidade de crescimento de quase 70% em comparação com os níveis registrados em 2025. A projeção está relacionada principalmente ao aumento das metas de mistura de combustíveis renováveis adotadas ou propostas por grandes mercados internacionais.
O movimento ganhou força em meio às preocupações com segurança energética e à valorização dos combustíveis fósseis. Países como Brasil, Estados Unidos, China, Índia e Indonésia, além da União Europeia, vêm ampliando ou discutindo políticas para aumentar a participação dos biocombustíveis no transporte.
Entre os produtos mais utilizados estão o etanol e o biodiesel. O etanol pode ser produzido a partir de matérias-primas como cana-de-açúcar e milho, enquanto o biodiesel utiliza principalmente óleos vegetais e outras fontes de gordura.
Pressão sobre a produção agrícola
Apesar do potencial de crescimento do setor, a expansão também traz desafios para a agricultura. Um estudo elaborado pela Chatham House e pelo Forest Stewardship Council (FSC) estima que, caso todas as metas propostas sejam implementadas, a área necessária para produzir matérias-primas destinadas aos biocombustíveis poderá mais que dobrar até 2030 em relação a 2023.
A necessidade adicional pode chegar a aproximadamente 36 milhões de hectares, área comparável ao território da Alemanha.
O aumento da demanda por milho, cana-de-açúcar e outras matérias-primas pode elevar a competição pelo uso da produção agrícola. O cenário preocupa pesquisadores especialmente quando a expansão ocorre sobre áreas naturais ou terras que poderiam ser destinadas à produção de alimentos.
O estudo também aponta que eventos climáticos extremos podem ampliar os impactos sobre os preços dos alimentos caso a procura por matérias-primas para energia cresça rapidamente.
Brasil ganha espaço no mercado
O Brasil aparece entre os países diretamente envolvidos nesse movimento, tanto pela produção de etanol quanto pela expansão do biodiesel.
No mercado nacional, o avanço dos biocombustíveis também tem provocado mudanças na cadeia do agronegócio. A expansão do etanol de milho, por exemplo, aumenta o processamento do cereal e gera coprodutos como o DDGS, utilizado na alimentação animal.
Projeções recentes indicam que a produção brasileira de biocombustíveis pode chegar a cerca de 30 bilhões de litros até 2030, com o etanol de milho respondendo por uma parcela significativa desse volume.
O avanço do biodiesel também influencia a cadeia da soja. Com maior processamento do grão para produção de óleo, cresce a disponibilidade de farelo, ingrediente utilizado na fabricação de rações para bovinos, suínos e aves.








