Chuvas travam moagem e pressionam preços do etanol e açúcar

O excesso de chuvas nas regiões produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil está provocando impactos no andamento da safra e pressionando os preços do etanol e do açúcar. A combinação de solo encharcado, dificuldades de colheita e problemas no transporte da matéria-prima reduziu o ritmo de moagem nas usinas.
No mercado de etanol, a oferta imediata ficou mais limitada. O volume elevado de precipitações tem dificultado a retirada da cana dos campos e o deslocamento até as unidades industriais. Em algumas regiões, usinas chegaram a interromper temporariamente a moagem.
O cenário aumenta a preocupação do setor com o volume de cana que ainda poderá ser processado nesta temporada. Caso os períodos de chuva persistam, parte da matéria-prima pode permanecer no campo e ser aproveitada somente na próxima safra.
Outro efeito esperado é o prolongamento do calendário de moagem. Enquanto algumas usinas ainda trabalham com a possibilidade de encerrar as atividades entre dezembro e janeiro, outras podem precisar estender a operação até fevereiro, dependendo das condições climáticas e da recuperação do ritmo de colheita.
Açúcar também sente redução da oferta
A menor disponibilidade de cana também afeta o mercado de açúcar. Em São Paulo, os preços do produto seguem pressionados pela redução da oferta para negociação no mercado físico.
Além das dificuldades provocadas pelas chuvas, o perfil de produção da atual safra também influencia esse cenário. Uma parcela maior da cana vem sendo direcionada para a fabricação de etanol, reduzindo a quantidade de matéria-prima destinada ao açúcar.
Dados oficiais citados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a produção de açúcar no Centro-Sul ficou abaixo da registrada no mesmo período do ano anterior durante a segunda quinzena de agosto.
Com a oferta mais restrita, a tendência é de continuidade da pressão sobre as cotações no mercado doméstico enquanto as condições climáticas dificultarem a colheita e a moagem.
Mercado acompanha previsão de novas chuvas
A possibilidade de novas precipitações mantém produtores, usinas e compradores atentos ao andamento da safra. O clima será determinante para definir o ritmo de recuperação das atividades e a quantidade de cana que poderá ser processada até o encerramento da temporada.
No mercado paulista, dados recentes do Cepea também apontaram avanço nas cotações do etanol. Entre 8 e 11 de setembro, o etanol hidratado registrou média de R$ 2,4622 por litro na usina, sem impostos, enquanto o anidro alcançou R$ 2,8475 por litro.
A alta também começa a aparecer no mercado consumidor. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio nacional do etanol hidratado chegou a R$ 4,08 por litro na semana de 13 a 19 de setembro. Em Goiás, a relação entre o preço do etanol e da gasolina ficou em 65,67% no período pesquisado.








