SP registra limão caviar brasileiro que pode chegar a R$ 1,2 mil o quilo

O Estado de São Paulo agora conta com a primeira variedade brasileira de limão caviar registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC). O Instituto Agronômico (IAC) desenvolveu a cultivar Faustrime e oficializou o registro em 2023. Além disso, a expectativa é que o produto chegue ao mercado ainda em 2026.
Originário da Austrália, o limão caviar conquistou espaço na alta gastronomia e, por isso, apresenta alto valor agregado. Atualmente, o preço pode variar entre R$ 400 e R$ 1.200 o quilo, conforme a oferta, a demanda e a qualidade do fruto.
Fruta exótica chama atenção pelo formato e sabor
Diferentemente dos limões tradicionais, como Siciliano e Tahiti, o limão caviar não concentra suco em gomos. Em vez disso, sua polpa apresenta pequenas vesículas que lembram ovas de peixe. Por esse motivo, o fruto ganhou o nome “caviar”.
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Ao consumir, essas vesículas estouram na boca e liberam um sabor levemente ácido. Além disso, a fruta se destaca pela diversidade de cores, que variam entre tons de marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado.
Uso na gastronomia impulsiona valorização
De acordo com a pesquisadora Marinês Bastianel, do IAC, o fruto possui uma característica específica que direciona seu uso. Segundo ela, o limão caviar não apresenta suco como outros citros e, portanto, chefs utilizam o ingrediente principalmente na finalização de pratos.
Nos últimos anos, profissionais da gastronomia passaram a incorporar o ingrediente em diferentes preparos. Como resultado, a demanda cresceu, especialmente em restaurantes especializados.
O sushi chef Allan Beckmann, do restaurante Satori Omakase, explica que o ingrediente amplia as possibilidades gastronômicas. Segundo ele, a textura diferenciada contribui para combinações que valorizam pureza, contraste e precisão.
Cultivo abre novas oportunidades no Brasil
Ao mesmo tempo, o IAC avalia que a cultivar Faustrime pode abrir novas oportunidades para produtores brasileiros. Isso ocorre porque o fruto atende nichos específicos de mercado, principalmente nas grandes capitais.
Enquanto o consumo internacional já ocorre em países da União Europeia, nos Estados Unidos e no Japão, o Brasil começa a ampliar sua produção. Portanto, a tendência aponta para crescimento gradual da cultura no país.
A equipe técnica selecionou a cultivar a partir do Banco de Germoplasma de Citros do Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis (SP), considerado o maior do mundo, com cerca de 1.700 materiais genéticos.
Produção precoce exige manejo cuidadoso
Segundo especialistas, os produtores podem iniciar a colheita já no segundo ano após o plantio. No entanto, o potencial produtivo máximo ocorre a partir do quarto ano.
Por outro lado, o cultivo exige atenção. As plantas apresentam muitos espinhos, o que dificulta a colheita e demanda mais cuidado no manejo. Além disso, as árvores produzem múltiplas floradas ao longo do ano, o que garante produção contínua.
Pesquisa aponta resistência a doenças
Além do valor comercial, pesquisadores também estudam o limão caviar em programas de melhoramento genético. Isso acontece porque espécies do gênero Microcitrus demonstram tolerância ao greening (HLB), doença que prejudica a citricultura mundial.
Diante desse cenário, cientistas buscam desenvolver combinações mais resistentes. Assim, a nova cultivar pode contribuir não apenas para o mercado, mas também para o avanço científico no setor.
Por fim, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo mantém ações de certificação fitossanitária e controle do trânsito vegetal. Com isso, o órgão garante mais segurança na produção e na comercialização da cultura.
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