Governo anuncia bilhões para fortalecer indústria de fertilizantes

Governo anuncia bilhões para fortalecer indústria de fertilizantes

O setor brasileiro de fertilizantes entrou no centro de uma nova estratégia do governo federal para reduzir a dependência de insumos importados. Nesta terça-feira (25), durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou medidas que podem ampliar o acesso a crédito e estimular investimentos na produção nacional.

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Uma das principais iniciativas prevê R$ 4 bilhões em linhas de financiamento para empresas do setor de fertilizantes, dentro da terceira fase do programa Brasil Soberano. O recurso faz parte de um pacote de R$ 18,5 bilhões destinado a empresas afetadas por mudanças no comércio exterior e pela instabilidade internacional.

O governo também regulamentou anteriormente uma linha de R$ 2 bilhões específica para fabricantes de adubos, fertilizantes e matérias-primas. Os recursos fazem parte dos R$ 13,5 bilhões em crédito definidos pelo Plano Brasil Soberano e têm como objetivo apoiar setores considerados estratégicos.

Produção nacional é prioridade

Além do crédito, o governo trabalha para estimular novos investimentos na indústria brasileira. O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o Profert, deve ser sancionado nos próximos dias, segundo Alckmin.

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A proposta estabelece uma participação mínima de fertilizantes produzidos no Brasil nos produtos comercializados no mercado nacional. O percentual deverá começar em 2% em 2027 e crescer gradualmente até chegar a 10% em 2037. O programa também poderá liberar até R$ 10 bilhões em incentivos ao longo de cinco anos para novas fábricas e para a expansão ou modernização de unidades existentes.

A estratégia busca enfrentar um dos principais desafios do agronegócio brasileiro: a elevada dependência externa de fertilizantes. O país utiliza grandes volumes de nutrientes importados para manter a produtividade das lavouras.

Oferta de insumos preocupa o mercado

O cenário internacional também aumentou a pressão sobre o setor. Restrições no fornecimento de matérias-primas, conflitos geopolíticos e dificuldades logísticas podem elevar custos e comprometer a disponibilidade de determinados produtos.

Nesta terça-feira, representantes da indústria também discutiram uma possível subvenção de até R$ 2 bilhões para a importação de enxofre e ácido sulfúrico. A proposta ainda está em negociação e teria caráter emergencial.

Ao mesmo tempo, estimativas apresentadas no Congresso Brasileiro de Fertilizantes indicam que as entregas de fertilizantes no Brasil podem recuar em 2026. A Agroconsult projeta inicialmente 45,31 milhões de toneladas, com possibilidade de o volume ficar próximo de 44 milhões.

Impacto para o agronegócio

A disponibilidade e o preço dos fertilizantes têm impacto direto sobre os custos de produção agrícola. Soja, milho, algodão e outras culturas dependem de uma oferta regular de nutrientes para manter os níveis de produtividade.

Para Goiás e o Sudoeste Goiano, onde a produção de grãos possui forte peso econômico, o tema tem importância estratégica. Mudanças nos custos dos fertilizantes podem influenciar o planejamento das lavouras, as margens dos produtores e, consequentemente, a formação dos preços dentro da cadeia do agronegócio.

As medidas anunciadas pelo governo ainda dependem de regulamentações e da implementação das linhas de crédito. O resultado, portanto, dependerá de como os recursos chegarão às empresas e de quanto os investimentos serão capazes de ampliar a produção brasileira.

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Gessica Vieira

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