Qual é a melhor raça bovina para produzir carne no Brasil? Especialista explica o que realmente importa

Qual é a melhor raça bovina para produzir carne no Brasil? Especialista explica o que realmente importa

Afinal, qual é a melhor raça bovina para produzir carne no Brasil? A resposta pode não ser tão simples quanto escolher uma raça conhecida por apresentar bom desempenho. Segundo um especialista em melhoramento genético da Embrapa Gado de Corte, não existe uma raça perfeita para todos os sistemas de produção.

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A avaliação foi apresentada pelo geneticista Gilberto Menezes, do Programa Geneplus, em conteúdo produzido pelo Giro do Boi em parceria com o programa de melhoramento genético da Embrapa. A análise mostra que a escolha deve considerar as características de cada propriedade, o ambiente, o manejo e o mercado que o produtor pretende atender.

O Brasil possui dimensões continentais e diferentes condições de clima, solo, disponibilidade de pastagem e sistemas de criação. Por isso, uma genética que apresenta bons resultados em determinada fazenda pode não entregar o mesmo desempenho em outra propriedade.

Raça não deve ser analisada isoladamente

Um dos principais pontos destacados pelo especialista é que o produtor não deve avaliar somente o nome da raça. Dentro de qualquer grupo genético existem animais com desempenhos diferentes.

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O trabalho de seleção, portanto, precisa identificar os indivíduos que apresentam características desejáveis para o sistema de produção. Dados de desempenho, avaliações genéticas e adaptação ao ambiente devem fazer parte da decisão.

Na prática, isso significa que dois animais da mesma raça podem apresentar resultados diferentes. O potencial produtivo depende da genética individual, mas também de fatores como nutrição, manejo, sanidade e condições da propriedade.

Melhoramento genético ganha importância

O avanço da genética tem contribuído para aumentar a eficiência da pecuária brasileira. Segundo a análise apresentada pelo Geneplus, os ganhos obtidos por meio da seleção são acumulativos e podem ser incorporados às gerações seguintes.

Por isso, a escolha de animais geneticamente avaliados pode ajudar o pecuarista a direcionar o rebanho para características de maior interesse econômico.

Entre os critérios que podem ser considerados estão características relacionadas ao crescimento, reprodução, eficiência produtiva e qualidade da carcaça, sempre de acordo com o objetivo definido para a propriedade.

O que funciona em uma fazenda pode não funcionar em outra

A realidade do produtor também pesa na decisão. Uma propriedade com sistema intensivo, por exemplo, possui condições diferentes de uma fazenda baseada predominantemente em pastagens.

O clima e a disponibilidade de alimentos também precisam entrar no planejamento. Em regiões do Centro-Oeste, como Goiás, a adaptação dos animais às condições locais é um dos fatores que podem influenciar diretamente o desempenho do rebanho.

Para o produtor do Sudoeste Goiano, essa avaliação é especialmente relevante. A região possui forte atividade pecuária e diferentes modelos de produção. Assim, a escolha genética precisa estar alinhada ao sistema utilizado em cada propriedade.

A escolha deve buscar resultado econômico

A principal conclusão da análise é que a busca pela chamada “melhor raça” pode desviar o foco daquilo que realmente determina o resultado da atividade.

Mais importante do que escolher uma raça apenas pela fama ou preferência pessoal é identificar qual genética apresenta melhor desempenho dentro das condições da fazenda e atende ao objetivo comercial do produtor.

Com planejamento, avaliação genética e manejo adequado, a escolha dos animais pode contribuir para melhorar a eficiência do rebanho e aumentar a rentabilidade da pecuária de corte.

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Gessica Vieira

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