Vazio sanitário da soja começa em Goiás no fim de junho e reforça combate à ferrugem asiática

O vazio sanitário da soja começa neste mês de junho em Goiás, estabelecendo um período estratégico para o controle de pragas e doenças que afetam a cultura. Em 2026, a medida determina a proibição do cultivo e da manutenção de plantas vivas de soja entre os dias 27 de junho e 24 de setembro. Já a janela de semeadura está definida entre 25 de setembro e 2 de janeiro de 2027, conforme o calendário ratificado pela Portaria SDA/Mapa nº 1.579/2026.
A iniciativa é considerada essencial para a sanidade da produção agrícola no estado. De acordo com o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, o cumprimento do vazio sanitário tem impacto direto na produtividade e competitividade da soja goiana. Ele destaca que a medida é baseada em evidências científicas e na experiência acumulada no campo, sendo amplamente reconhecida pelos produtores.
Durante esse período, os agricultores devem eliminar qualquer planta viva de soja existente nas lavouras, incluindo as chamadas tigueras ou plantas guaxas, que nascem de forma espontânea. Segundo o gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Leonardo Macedo, essas plantas funcionam como uma “ponte verde”, permitindo a sobrevivência de pragas e doenças entre uma safra e outra.
Entre as principais ameaças está a ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. A doença ataca as folhas da soja, provocando o surgimento de pústulas de coloração marrom ou alaranjada. Sua disseminação ocorre por meio de esporos transportados pelo vento, capazes de percorrer longas distâncias e infectar rapidamente novas áreas.
Quando não controlada, a ferrugem asiática pode causar perdas superiores a 70% da produção em regiões severamente afetadas. Além da queda na produtividade, o problema eleva significativamente os custos de produção, devido à necessidade de aplicações frequentes de fungicidas.
Diante desse cenário, o vazio sanitário se consolida como uma das principais ferramentas de manejo fitossanitário, interrompendo o ciclo do fungo e reduzindo sua presença no ambiente. A adesão dos produtores é considerada fundamental para garantir uma safra mais segura, produtiva e sustentável em Goiás.






