Setor de carnes reforça defesa do uso responsável de antimicrobianos

O setor brasileiro de carnes voltou a defender o uso responsável de antimicrobianos na produção animal, em meio ao avanço das discussões sobre resistência microbiana e às exigências sanitárias adotadas por diferentes mercados internacionais.
O tema ganhou ainda mais relevância em 2026 com mudanças na regulamentação brasileira e negociações envolvendo requisitos sanitários para produtos de origem animal. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que mantém tratativas técnicas com a União Europeia sobre as regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
A discussão envolve um ponto importante para a pecuária: garantir o tratamento adequado dos animais doentes sem ampliar o risco de resistência aos medicamentos. Por isso, a utilização dessas substâncias precisa seguir critérios técnicos, orientação veterinária e as normas estabelecidas pelos órgãos de controle.
Brasil endurece regras para antimicrobianos
O Brasil adotou novas medidas em 2026 para restringir determinados antimicrobianos utilizados na produção animal.
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A Portaria SDA/MAPA nº 1.600, publicada em abril, proibiu o registro, a importação e o emprego de produtos que contenham determinados princípios ativos classificados pela Organização Mundial da Saúde como reservados para uso humano em animais destinados à alimentação.
Outra medida, a Portaria SDA/MAPA nº 1.617, ampliou restrições sobre aditivos melhoradores de desempenho que contenham antimicrobianos considerados importantes para a medicina humana ou veterinária.
As mudanças fazem parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento da resistência aos antimicrobianos.
Resistência preocupa setor de saúde
A resistência antimicrobiana ocorre quando microrganismos deixam de responder adequadamente aos medicamentos utilizados para combater infecções. O problema é tratado como uma questão de saúde pública e envolve seres humanos, animais e meio ambiente.
O Mapa mantém o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária, com ações de monitoramento, prevenção e uso prudente desses medicamentos.
A Anvisa também iniciou um programa piloto para monitorar microrganismos resistentes e resíduos de antimicrobianos em alimentos comercializados no varejo brasileiro. A iniciativa contempla o biênio 2025/2026 e busca gerar informações para orientar ações de vigilância sanitária.
Mercado internacional acompanha regras
O debate também tem impacto comercial. O Brasil exporta produtos de origem animal para mais de 150 países, segundo o Mapa, e precisa atender aos requisitos sanitários estabelecidos pelos compradores.
No caso da União Europeia, o governo brasileiro afirma que as discussões técnicas continuam. Até julho de 2026, as autoridades europeias ainda não haviam apresentado uma manifestação conclusiva sobre a documentação encaminhada pelo Brasil.
Para a indústria de carnes, o cumprimento das exigências sanitárias é fundamental para preservar mercados e evitar restrições comerciais.
Ao mesmo tempo, produtores e empresas precisam acompanhar as mudanças regulatórias para adequar protocolos de tratamento, registros e controle de medicamentos utilizados nos animais.
Impacto para a pecuária brasileira
A discussão interessa diretamente às principais cadeias de proteína animal do país, incluindo a bovinocultura de corte, além da produção de aves e suínos.
Para os pecuaristas, o desafio é conciliar o tratamento adequado dos animais com o cumprimento das normas sanitárias. O uso de antimicrobianos não deixa de existir, mas passa a ser cada vez mais acompanhado por critérios de necessidade, prescrição e controle.
Em Goiás, um dos principais polos brasileiros da pecuária, o tema também merece atenção. O Estado possui forte participação na produção de carne bovina e nas exportações, o que aumenta a importância da adequação às normas nacionais e internacionais.
O cenário mostra que a discussão sobre antimicrobianos vai além da produção dentro da fazenda. Ela envolve sanidade animal, segurança dos alimentos, saúde pública, comércio exterior e competitividade do agronegócio brasileiro.
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