El Niño ameaça produção de cacau e pode encarecer chocolate

El Niño ameaça produção de cacau e pode encarecer chocolate

O chocolate pode voltar a ficar mais caro no mercado internacional diante dos riscos provocados pelo fortalecimento do El Niño. O fenômeno climático aumenta a preocupação com a produção de cacau, principalmente na África Ocidental, região que concentra uma parcela significativa da oferta mundial.

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A possibilidade de um novo episódio forte de El Niño ganhou força nas últimas semanas. Segundo previsões climáticas citadas por analistas do mercado, o fenômeno pode provocar alterações importantes no regime de chuvas e nas temperaturas durante o ciclo 2026/27.

O impacto sobre o cacau é especialmente relevante porque Costa do Marfim e Gana estão entre os maiores produtores mundiais. Juntos, os dois países representam cerca de metade da produção global da commodity.

Clima aumenta preocupação com a próxima safra

O comportamento do El Niño pode variar de acordo com a região. Na África Ocidental, o excesso de chuva também pode representar um problema para as lavouras, favorecendo doenças e prejudicando o desenvolvimento das plantas.

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Esse efeito já é observado como um dos riscos para a próxima temporada. Na Costa do Marfim, por exemplo, projeções de mercado indicam possibilidade de redução da próxima safra em razão das condições climáticas.

A preocupação aumenta porque o cacau ainda está em um processo de recuperação depois dos problemas de oferta registrados nos últimos anos. Em 2024, uma quebra de produção na África Ocidental provocou forte disparada das cotações internacionais.

Oferta e demanda entram no radar

O clima não é o único fator observado pelo mercado. A relação entre produção, estoques e consumo também influencia diretamente a formação dos preços.

Dados recentes apontam crescimento da moagem mundial de cacau, indicador utilizado para medir a demanda da indústria. O avanço ocorre mesmo depois dos períodos de preços elevados registrados pela commodity.

Para a temporada 2025/26, algumas projeções ainda apontam para recuperação dos estoques e um cenário de maior disponibilidade. Já para 2026/27, as estimativas são mais apertadas e indicam que uma eventual perda de produção causada pelo clima pode reduzir o excedente disponível no mercado.

Cacau mais caro pode chegar ao consumidor

Quando a oferta de cacau diminui e a demanda permanece elevada, a tendência é de maior pressão sobre os preços da matéria-prima.

Esse movimento pode chegar à indústria de chocolate, que utiliza o cacau como um dos principais componentes da produção. O impacto final para o consumidor, porém, depende também de outros custos, como açúcar, energia, embalagens, transporte e processamento.

O mercado ainda trabalha com cenários e não há garantia de que o chocolate terá uma nova disparada de preços. O principal ponto de atenção é o comportamento do clima e seus efeitos sobre a produção durante o próximo ciclo.

Reflexos para o agronegócio brasileiro

Embora a maior preocupação esteja concentrada na África Ocidental, o mercado internacional de cacau também interessa ao Brasil.

O país possui produção relevante e participa da cadeia global de chocolate. Alterações nas cotações internacionais podem influenciar produtores, indústrias e comerciantes que atuam com a commodity.

Para o agronegócio, o episódio reforça mais uma vez como eventos climáticos ocorridos em grandes regiões produtoras podem provocar efeitos em diferentes mercados e países.

No cenário atual, o El Niño aparece como um dos principais fatores de risco para o equilíbrio entre oferta e demanda de cacau. Se as condições climáticas comprometerem a próxima safra, o mercado poderá voltar a enfrentar uma oferta mais restrita e, consequentemente, novas pressões sobre os preços.

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Gessica Vieira

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