Seis meses de guerra no ficam restritos ao Oriente Médio e pressionam petróleo, alimentos e mercados

A guerra no Oriente Médio completa seis meses nesta sexta-feira (28) e os efeitos do conflito já ultrapassaram as fronteiras da região. A instabilidade atingiu mercados de energia, alimentos, fertilizantes e investimentos, criando novos desafios para economias de diferentes partes do mundo.
O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Desde então, uma das principais preocupações do mercado internacional passou a ser o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte marítimo de petróleo e outros produtos.
A redução do fluxo de embarcações pelo estreito afetou a oferta de energia e ajudou a pressionar as cotações internacionais. Em abril, o petróleo Brent chegou a superar os US$ 120 por barril, enquanto combustíveis como diesel e querosene de aviação também sofreram pressão.
Petróleo e combustíveis no centro da crise
O petróleo foi um dos primeiros mercados a reagir à escalada do conflito.
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Além dos riscos sobre a produção nos países do Golfo, a dificuldade de transporte pelo Estreito de Ormuz aumentou a preocupação com o abastecimento internacional.
O cenário ganhou importância adicional com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte, período em que a demanda por energia costuma aumentar. Novos problemas na região podem voltar a pressionar combustíveis e inflação.
Apesar disso, o mercado conseguiu reduzir parte das preocupações com o abastecimento graças ao aumento da produção e das exportações de refinarias dos Estados Unidos.
Impacto chega ao agronegócio
Os reflexos também chegaram diretamente ao campo.
A redução dos embarques pelo Estreito de Ormuz afetou o comércio internacional de fertilizantes, insumos fundamentais para a produção agrícola.
O problema se soma a outros fatores de pressão sobre os alimentos, como os efeitos do El Niño e as interrupções no transporte de grãos provocadas pela guerra na Ucrânia. A combinação contribuiu para elevar os preços globais dos alimentos.
Para o produtor rural brasileiro, uma eventual alta prolongada do petróleo pode significar aumento nos custos de diesel, transporte, logística e diversos insumos utilizados na produção.
Em regiões agrícolas como o Sudoeste Goiano, onde soja, milho e outras culturas possuem forte presença, alterações nos preços dos combustíveis e fertilizantes podem influenciar diretamente os custos da atividade.
Alimentos também sofrem pressão
A crise energética se conecta ao mercado de alimentos por diferentes caminhos.
Combustíveis mais caros elevam os custos de transporte. Fertilizantes mais pressionados aumentam as despesas de produção. E eventuais dificuldades nas rotas internacionais podem alterar o fluxo de mercadorias.
Segundo dados citados no levantamento, os preços globais dos alimentos atingiram em julho o maior nível em mais de três anos, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O impacto tende a ser maior em países onde as famílias destinam uma parcela maior da renda à alimentação.
Mercados financeiros resistem
Apesar da instabilidade provocada pela guerra, as bolsas internacionais apresentaram capacidade de recuperação.
O desempenho dos mercados foi influenciado por diferentes fatores, entre eles o forte avanço de empresas ligadas à inteligência artificial, que ajudou a compensar perdas em setores mais expostos ao conflito.
Nem todos os ativos considerados tradicionalmente seguros tiveram o mesmo comportamento.
O ouro apresentou forte oscilação durante o período. Já os títulos do governo dos Estados Unidos sofreram pressão diante da inflação e das expectativas relacionadas aos juros americanos.
Países produtores de petróleo sentem o impacto
As economias do Golfo estão entre as mais diretamente afetadas pela guerra.
A redução das exportações de petróleo e gás, além dos danos provocados à infraestrutura energética, atingiu países que possuem forte dependência das vendas externas de energia.
A Arábia Saudita, por exemplo, registrou queda nas exportações entre o primeiro e o segundo trimestre. No Catar, projeções econômicas apontam forte retração da atividade em razão dos danos ao complexo de gás de Ras Laffan.
Reflexos podem continuar
Mesmo depois de seis meses, o conflito continua sendo acompanhado de perto pelos mercados internacionais.
O comportamento do petróleo, a circulação de mercadorias pelo Estreito de Ormuz, a disponibilidade de fertilizantes e a evolução das negociações diplomáticas serão alguns dos principais fatores para determinar os próximos impactos econômicos.
Para o Brasil, o cenário merece atenção especialmente pelo peso do agronegócio na economia. Mudanças nos custos de produção e logística podem chegar à cadeia agrícola e influenciar preços, margens e decisões dos produtores.
No Sudoeste Goiano, onde a produção agrícola tem papel estratégico, os efeitos de uma crise distante geograficamente podem aparecer no preço do diesel, nos custos dos fertilizantes e nas condições do comércio internacional.
O conflito, portanto, deixou de ser apenas uma questão geopolítica regional. Seus efeitos passaram a fazer parte da conta da energia, da produção e dos alimentos em diferentes partes do mundo.
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