Preço dos ovos recua em agosto, mas média ainda supera julho

Os preços dos ovos recuaram ao longo de agosto, mas a média parcial do mês ainda permanece acima do valor registrado em julho. O movimento ocorre em um mercado marcado por mudanças na demanda e pela necessidade de equilíbrio entre a oferta disponível e o consumo.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a segunda quinzena de agosto começou com pressão maior sobre as cotações. A desaceleração das vendas levou atacadistas e varejistas a pressionarem por descontos, enquanto produtores passaram a flexibilizar negociações para garantir o giro dos estoques.
Apesar da queda, a oferta de ovos segue controlada em diversas regiões, o que ajudou a limitar a intensidade do recuo em algumas praças. O comportamento do mercado, portanto, ainda depende do equilíbrio entre a quantidade disponível e o ritmo das vendas.
Cotações recuam em importantes regiões
Os dados mais recentes do Cepea mostram quedas em diferentes mercados acompanhados pela instituição.
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Em Grande São Paulo, por exemplo, o preço dos ovos brancos chegou a R$ 129,63 por caixa com 30 dúzias em 26 de agosto, enquanto os ovos vermelhos foram negociados a R$ 140,76. Na comparação diária, as duas categorias apresentaram recuo.
Em Bastos, importante polo produtor de São Paulo, o ovo branco estava cotado a R$ 123,25 por caixa, enquanto o vermelho alcançava R$ 133,97 na mesma data.
Os valores variam conforme a região, o tipo de ovo e as condições de negociação. Por isso, as cotações de uma praça não representam necessariamente o preço encontrado em outras áreas do país.
Demanda influencia comportamento do mercado
O enfraquecimento das vendas tem sido um dos principais fatores de pressão sobre os preços.
De acordo com o Cepea, esse movimento ficou mais evidente na segunda metade de agosto. Com menor ritmo de comercialização, compradores passaram a buscar condições mais favoráveis, aumentando a pressão sobre os produtores.
O cenário contrasta com períodos de maior consumo, quando uma demanda mais firme pode favorecer a recuperação das cotações.
Julho terminou com preços pressionados
O mercado já vinha de um período de forte desvalorização.
Em julho, a média parcial dos preços dos ovos chegou ao menor patamar real para o mês desde 2019 nas regiões acompanhadas pelo Cepea. A queda foi atribuída principalmente à combinação entre demanda enfraquecida e oferta interna elevada.
Naquele momento, produtores enfrentavam dificuldades para escoar a produção, enquanto a menor liquidez aumentava os estoques nas granjas.
Esse cenário ajudou a formar uma base de preços mais baixa para o início de agosto.
Exportações também entram no cenário
O mercado externo apresenta um comportamento diferente em alguns segmentos.
Em julho, o Brasil exportou 2,68 mil toneladas de ovos in natura e processados, volume 3,3% superior ao registrado em junho. Dentro desse total, os produtos processados tiveram destaque, com 1,21 mil toneladas embarcadas, alta de 122% em relação ao mês anterior.
Mesmo com esse avanço mensal, o volume total exportado ficou 49% abaixo do registrado em julho de 2025.
Os números mostram que as vendas externas podem contribuir para o escoamento da produção, mas ainda não eliminam a pressão existente no mercado doméstico.
Custos continuam no radar do produtor
Para o avicultor de postura, o comportamento dos preços dos ovos precisa ser analisado junto com os custos de produção.
O Cepea apontou que a queda dos preços dos ovos combinada com a valorização do milho e do farelo de soja reduziu o poder de compra do produtor paulista em julho, atingindo o menor nível desde janeiro.
Como esses insumos têm peso importante na alimentação das aves, mudanças nas cotações podem afetar diretamente as margens da atividade.
Cenário exige atenção no agronegócio
O mercado de ovos entra na reta final de agosto com preços mais baixos do que no início do mês, mas a média ainda supera a registrada em julho.
Para os produtores, o comportamento das vendas será determinante para os próximos movimentos das cotações.
No Sudoeste Goiano, onde o agronegócio possui forte participação econômica, acompanhar preços, custos de alimentação e demanda é importante para produtores ligados à cadeia de proteína animal.
O mercado ainda busca um ponto de equilíbrio entre oferta e consumo. A evolução das vendas nas próximas semanas será fundamental para indicar se os preços continuarão recuando ou se haverá espaço para recuperação.
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