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Rabobank vê recuperação dos estoques globais de café após chuvas favoráveis no Brasil

O Rabobank avalia que os estoques globais de café podem se recuperar gradualmente, impulsionados pelas chuvas favoráveis nas regiões produtoras brasileiras e pela recuperação das exportações. O relatório divulgado em outubro também aponta perspectivas melhores para a safra 2027/28, mas ressalta que a recomposição dos estoques depende da confirmação da oferta, das condições climáticas e do fluxo internacional de embarques.

Rabobank vê recuperação dos estoques globais de café após chuvas favoráveis no Brasil

O mercado internacional de café pode caminhar para um cenário de maior disponibilidade do produto e recuperação gradual dos estoques globais. A avaliação é do Rabobank, que aponta as chuvas favoráveis nas regiões produtoras brasileiras e a recuperação das exportações como fatores que podem melhorar as perspectivas de abastecimento nos próximos ciclos.

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A análise faz parte do relatório Brazilian Coffee Monthly Update, referente a setembro e divulgado pelo RaboResearch em outubro. Elaborado pelo analista Claudio Delposte, o levantamento também destaca condições meteorológicas mais favoráveis em países produtores como Brasil, Vietnã e Indonésia e perspectivas melhores para a safra brasileira 2027/28.

Apesar do cenário positivo, o banco ressalta que ainda não há confirmação de excedente de oferta para a próxima temporada. A evolução da produção dependerá das condições climáticas, do desenvolvimento das lavouras e da capacidade de escoamento do café até os mercados consumidores.

Chuvas favorecem perspectivas para a safra brasileira

Um dos principais pontos do relatório é o volume de precipitações registrado em setembro nas regiões produtoras brasileiras. O período é importante para a florada e o desenvolvimento vegetativo dos cafezais.

Segundo o levantamento, todas as localidades analisadas receberam volumes de chuva superiores às respectivas médias históricas dos últimos 15 anos.

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Em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, foram registrados 154 milímetros de chuva, diante de uma média histórica de 57,2 milímetros. Em Manhuaçu, na região das Matas de Minas, o acumulado chegou a 111 milímetros, enquanto a média de referência é de 28,5 milímetros.

No Espírito Santo, importante região produtora de café conilon, Linhares registrou 90 milímetros de precipitação em setembro, ante uma média histórica de 29,4 milímetros.

Na avaliação do Rabobank, a maior disponibilidade de umidade contribuiu para melhorar as condições de desenvolvimento das lavouras e reforçar as perspectivas para a safra brasileira 2027/28.

Ainda assim, o desempenho da próxima temporada dependerá da distribuição das chuvas e das condições meteorológicas nos meses seguintes.

Exportações brasileiras voltam a crescer

A recuperação dos embarques brasileiros também aparece como um dos fatores que podem contribuir para ampliar a disponibilidade de café no mercado internacional.

Em agosto, o Brasil exportou 4,15 milhões de sacas de 60 quilos, volume 22% superior ao registrado em julho e 31% acima do embarcado em agosto de 2025, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) citados no levantamento.

Para o Rabobank, a recuperação das exportações pode favorecer a presença do café brasileiro nos principais mercados consumidores e contribuir para a recomposição dos estoques ao longo dos próximos meses.

Entretanto, o aumento dos embarques não significa que o produto esteja imediatamente disponível em todos os mercados. O café precisa passar por etapas de transporte, recebimento e, quando necessário, certificação para armazenamento nas bolsas internacionais.

Estoques certificados continuam no radar

Apesar das perspectivas de maior oferta nas origens produtoras, os estoques certificados de café arábica na Bolsa de Nova York permanecem historicamente baixos, segundo o relatório.

Essa diferença ajuda a explicar por que a expectativa de aumento da produção pode coexistir com dificuldades de abastecimento em determinados mercados e oscilações nos contratos futuros.

Para que os estoques internacionais se recuperem efetivamente, será necessário que a oferta chegue aos destinos consumidores e seja incorporada aos estoques disponíveis.

Assim, as condições de produção no Brasil e em outros países produtores são importantes, mas o ritmo de transporte e distribuição também influencia o equilíbrio entre oferta e demanda.

Perspectiva de excedente ainda depende da oferta

Em agosto, o Rabobank já havia projetado um excedente mundial de 8,9 milhões de sacas para a temporada 2026/27. A instituição, porém, alertava para os atrasos no fluxo de café entre países produtores e consumidores.

A análise divulgada em outubro acrescenta as condições climáticas observadas em setembro e a recuperação das exportações brasileiras à avaliação sobre a possível recomposição dos estoques.

Para os cafeicultores, o cenário reúne fatores que merecem acompanhamento. No curto prazo, os estoques certificados reduzidos podem continuar influenciando as cotações. Mais adiante, caso a oferta projetada se confirme e o abastecimento seja normalizado, o aumento da disponibilidade poderá exercer pressão sobre os preços.

O Rabobank ressalta que ainda existem incertezas relevantes para as próximas safras de café arábica e robusta. Por isso, o comportamento do clima, a evolução da produção e o fluxo comercial internacional continuarão determinantes para o mercado.

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