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Enxofre cai 23%, mas fertilizantes fosfatados seguem caros

O preço do enxofre nos portos brasileiros caiu aproximadamente 23% nas últimas sete semanas, voltando a ficar abaixo de US$ 1.000 por tonelada. Apesar do recuo, os fertilizantes fosfatados continuam em patamares elevados. Segundo a StoneX, a disponibilidade de insumos, os custos industriais e as condições do mercado internacional ainda limitam o repasse da queda ao preço final dos fertilizantes.

Enxofre cai 23% nos portos brasileiros, mas fertilizantes fosfatados seguem caros

O preço do enxofre nos portos brasileiros recuou aproximadamente 23% nas últimas sete semanas e voltou a ficar abaixo de US$ 1.000 por tonelada. Apesar da queda, os fertilizantes fosfatados continuam em patamares elevados, sem registrar uma redução equivalente nas cotações. Os dados são da StoneX, que aponta a disponibilidade de insumos e as condições do mercado internacional como fatores que ainda limitam o alívio para os produtores rurais.

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Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a desvalorização do enxofre está relacionada à retração da demanda internacional. Depois da forte alta dos preços, importadores reduziram as compras, contribuindo para o recuo da matéria-prima.

No entanto, a valorização registrada anteriormente também afetou a produção de fertilizantes fosfatados em diferentes países, restringindo a disponibilidade desses produtos. Por isso, a queda recente do enxofre ainda não se refletiu integralmente nos preços dos fertilizantes.

MAP continua em patamar elevado

O comportamento do fosfato monoamônico (MAP), um dos principais fertilizantes utilizados na agricultura brasileira, ajuda a explicar essa resistência.

De acordo com a StoneX, o MAP acumulou alta de aproximadamente 23% entre o início do conflito no Oriente Médio e o pico de preços registrado em 2026. Desde aquele pico até a semana anterior à divulgação dos dados, a cotação recuou cerca de 7%.

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Os percentuais correspondem a períodos diferentes e não permitem estabelecer uma relação direta entre a queda do enxofre e a variação do preço do MAP.

Uma referência mais recente do mercado brasileiro, divulgada pela Nobel Trading na terça-feira (20), apontou que o MAP passou de US$ 836 para US$ 840 por tonelada na modalidade CFR Brasil, que considera o custo do produto e o frete até o porto de destino. Esse valor é uma referência de importação e não corresponde necessariamente ao preço final pago pelo produtor rural.

Além disso, relatório da Terra Investimentos, divulgado na quarta-feira (21), destacou que as restrições de oferta e os riscos geopolíticos continuam entre os fatores monitorados pelo setor, podendo limitar uma recuperação mais rápida da produção de fertilizantes fosfatados.

Importações de enxofre e fertilizantes recuam

A pressão dos preços elevados também aparece nos volumes importados pelo Brasil. Segundo a StoneX, as compras externas de enxofre entre janeiro e setembro de 2026 ficaram aproximadamente 48% abaixo das registradas no mesmo período de 2025.

Entre os fertilizantes fosfatados, as importações de MAP recuaram cerca de 15%, enquanto as de superfosfato simples (SSP) apresentaram redução de 24% na mesma comparação.

A diminuição dos volumes importados, porém, não significa necessariamente desabastecimento no mercado brasileiro. O calendário de compras, os preços e a substituição entre diferentes produtos também influenciam os resultados.

O enxofre é uma matéria-prima importante na fabricação de fertilizantes fosfatados. Ele é utilizado na produção de ácido sulfúrico, empregado na cadeia industrial de obtenção do ácido fosfórico.

Dessa forma, mudanças no preço e na disponibilidade do enxofre podem afetar os custos de produção. Entretanto, o repasse dessas variações para os fertilizantes não ocorre automaticamente, pois também depende dos estoques, dos demais custos industriais e das condições de oferta e demanda.

Queda do enxofre ainda não garante fertilizantes mais baratos

Na avaliação da StoneX, a redução recente do preço do enxofre ainda não foi suficiente para normalizar as condições do mercado de fertilizantes fosfatados. Embora novas correções na matéria-prima sejam possíveis, o equilíbrio da cadeia dependerá de uma melhora mais consistente na produção e na oferta internacional.

Para os produtores rurais, a perspectiva de redução dos preços é especialmente importante nas compras destinadas às próximas safras. Em análise divulgada em 14 de outubro, a StoneX destacou que a principal janela de aquisição de fertilizantes fosfatados e potássicos para a safra brasileira de soja 2026/27 já havia passado.

Com isso, uma eventual queda adicional das cotações poderá ter efeito limitado sobre os custos de quem já comprou os insumos. Para os agricultores que ainda precisam contratar fertilizantes, o comportamento dos preços continua relevante, mas a redução das referências internacionais não garante alívio imediato no valor entregue às propriedades.

Isso ocorre porque existe um intervalo entre as negociações internacionais, a chegada dos produtos ao Brasil e sua distribuição às regiões produtoras. Esse processo pode limitar o aproveitamento de eventuais oportunidades de compra.

Assim, embora a queda de 23% no preço do enxofre represente um movimento importante para o setor, a expectativa de fertilizantes fosfatados mais baratos ainda depende da continuidade desse recuo e de seus efeitos sobre a produção e a disponibilidade dos produtos no mercado.

Para o produtor brasileiro, a questão central é quando — e em que intensidade — esse alívio na matéria-prima poderá chegar ao preço dos fertilizantes utilizados nas lavouras.