Queda de helicóptero em GO que matou delegados completa 14 anos

Queda de helicóptero em GO que matou delegados completa 14 anos

A queda do helicóptero da Polícia Civil de Goiás, que resultou na morte de oito pessoas, completa 14 anos nesta sexta-feira (8). O acidente aconteceu em 2012, no município de Piranhas, e marcou a história da segurança pública no estado.

Entre as vítimas estavam cinco delegados, dois peritos criminais e o principal suspeito da chacina de Doverlândia. O grupo retornava da reconstituição do crime, realizada em uma fazenda no município vizinho, quando a aeronave caiu cerca de 10 dias após o massacre que deixou sete mortos.

De acordo com as investigações, o helicóptero — modelo Koala — caiu após uma falha no motor durante o voo, a aproximadamente 300 metros de altura. O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado apenas em 2016, apontou que a aeronave não estava em condições adequadas de voo.

Além do problema mecânico, o documento indicou que o helicóptero operava com excesso de peso e estava com a manutenção atrasada. Segundo o Cenipa, a aeronave ultrapassou o limite previsto no programa de manutenção do fabricante em mais de 10 horas de voo.

No momento da decolagem, ainda em Goiânia, o helicóptero estava com cerca de 96 quilos acima do peso máximo permitido. A soma incluía ocupantes, bagagens e combustível, fator que também pode ter contribuído para o acidente.

A investigação também revelou que, antes da queda, a aeronave perdeu uma das pás do motor principal. A peça foi encontrada a cerca de 150 metros do local do impacto. Testes não identificaram falhas estruturais por desgaste, mas indicaram que o tempo de reação dos pilotos pode não ter sido suficiente para evitar a perda de rotação do motor.

O estado em que o helicóptero ficou após a queda, agravado por um incêndio, dificultou uma análise mais precisa das causas. Ainda assim, o Cenipa concluiu que houve falhas operacionais e de manutenção, além de um julgamento inadequado das condições de aeronavegabilidade.

As vítimas do acidente foram identificadas como Osvalmir Carrasco e Bruno Rosa Carneiro, ambos delegados e pilotos da aeronave, além dos delegados Antônio Gonçalves, Vinícius Batista Silva e Jorge Moreira. Também morreram os peritos Marcel de Paula Oliveira e Fabiano de Paula Silva, além de Aparecido de Souza Alves, suspeito da chacina.

A tragédia ocorreu no contexto da investigação de um dos crimes mais chocantes da região. A chacina de Doverlândia aconteceu em 28 de abril de 2012, quando sete pessoas foram assassinadas em uma fazenda a cerca de 46 quilômetros do município.

Aparecido de Souza Alves foi preso dois dias após o crime e confessou os assassinatos, alegando que o objetivo era roubar dinheiro que estaria na propriedade. Após a morte dele no acidente, o inquérito foi concluído em janeiro de 2013. A conclusão apontou que ele agiu sozinho, com base em evidências periciais que identificaram apenas o perfil genético do suspeito no local.

Mais de uma década depois, o caso segue como um dos episódios mais marcantes da história policial de Goiás, tanto pela brutalidade da chacina quanto pela perda de profissionais experientes em um acidente que poderia ter sido evitado.

Share this content:

Gessica Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.