Prisão de advogada dentro de escritório em Goiás gera reação da OAB e levanta suspeitas de abuso de autoridade

Prisão de advogada dentro de escritório em Goiás gera reação da OAB e levanta suspeitas de abuso de autoridade

A prisão da advogada Aricka Cunha, em Goiás, por suposta difamação contra um delegado da Polícia Civil provocou reação imediata da OAB-GO. A detenção ocorreu dentro do escritório da profissional, em Cocalzinho de Goiás, após a publicação de uma crítica em rede social sobre o arquivamento de uma investigação.

Em resposta, a OAB-GO acionou a Corregedoria da Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário. A entidade afirmou que atua para garantir as prerrogativas da advocacia. Além disso, formalizou a manifestação por meio da Portaria nº 05/2026, assinada pelo Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP).

Segundo a OAB, a prisão pode ter desrespeitado o Estatuto da Advocacia. A norma permite a detenção apenas em flagrante por crimes inafiançáveis, quando o advogado está no exercício da função. Por isso, o presidente da seccional, Rafael Lara Martins, declarou que a entidade vai buscar responsabilização caso haja excessos.

Entre as medidas adotadas, a OAB apresentou representação criminal ao Ministério Público. Também abriu procedimento na Corregedoria da Polícia Civil. Além disso, solicitou à Justiça a nulidade do auto de prisão.

A reportagem tentou contato com o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. No entanto, não houve retorno até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.

Prisão em Cocalzinho de Goiás

De acordo com informações do caso, a prisão ocorreu após uma publicação feita pela advogada em rede social. No conteúdo, ela exibiu um despacho de arquivamento de um procedimento policial. Em seguida, criticou a justificativa apresentada no documento, que citava “falta de efetivo”.

Apesar disso, não há indicação de que a advogada tenha citado o nome do delegado na postagem. Ainda assim, imagens registradas no local mostram o momento da abordagem. Os agentes detiveram e algemaram a profissional dentro do escritório.

Posteriormente, Aricka Cunha deixou a unidade policial após pagar fiança de R$ 10 mil.

“Abuso não se normaliza”, diz advogada

Após o episódio, a advogada se pronunciou publicamente. Ela classificou a ação como desrespeito à Constituição e à liberdade de expressão. Além disso, criticou o uso de algemas durante a abordagem.

“Hoje não é só sobre mim. É sobre o limite do abuso de autoridade. Se isso acontece com uma advogada em seu espaço de trabalho, o que acontece com quem não tem voz?”, afirmou.

Por fim, Aricka declarou que não pretende se calar diante do caso. O episódio segue sob análise de autoridades e entidades competentes.

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Gessica Vieira

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