Diesel atinge preço recorde nos EUA e pressiona cadeia de alimentos

O preço do diesel nos EUA atingiu um novo recorde histórico, aumentando a pressão sobre agricultores e empresas que atuam no transporte e na distribuição de alimentos. Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), o valor médio chegou a US$ 6,29 por galão na semana encerrada em 14 de setembro. O patamar é o maior já registrado em termos nominais desde o início da série, em 1994.
A alta ocorre justamente durante o período de colheita, quando produtores norte-americanos utilizam grandes volumes de combustível para operar colheitadeiras, tratores, caminhões e outros equipamentos. Com o aumento das despesas, as margens financeiras das propriedades ficam ainda mais pressionadas.
Em algumas propriedades, o impacto já aparece diretamente no custo das operações. Produtores ouvidos pela Reuters relataram gastos que podem chegar a US$ 1.500 por dia apenas para abastecer uma colheitadeira durante a safra.
Combustível pesa em toda a cadeia
O impacto do diesel não fica restrito ao campo. O combustível também é utilizado no transporte rodoviário e ferroviário, na movimentação de insumos e produtos e em diferentes etapas da distribuição.
De acordo com a EIA, o diesel exerce influência significativa sobre os custos de frete e transporte de mercadorias. A combinação entre petróleo mais caro, oferta global restrita de derivados e margens elevadas de refino contribuiu para a escalada recente dos preços.
A agência informou ainda que os estoques norte-americanos de destilados estavam 13% abaixo da média sazonal dos cinco anos anteriores na semana encerrada em 11 de setembro. A produção doméstica permanece elevada, mas a dinâmica do mercado internacional também tem contribuído para manter os preços pressionados.
Pressão pode chegar aos consumidores
Com o aumento dos custos de produção e transporte, cresce a preocupação com os efeitos sobre os preços dos alimentos. Produtos que dependem de máquinas agrícolas e transporte refrigerado, como carnes, leite e hortaliças, podem sofrer maior pressão de custos ao longo da cadeia.
Economistas ouvidos pela Reuters avaliam que a alta do combustível pode contribuir para uma elevação mais ampla dos custos de abastecimento nos Estados Unidos, especialmente se os preços permanecerem elevados durante a temporada de colheita.
O cenário também amplia os desafios enfrentados pelos produtores, que precisam administrar despesas maiores em um período de intenso uso de máquinas. Para reduzir o impacto, alguns agricultores têm buscado economizar combustível e adiar gastos considerados menos urgentes.
A EIA avalia que a oferta global de destilados deve permanecer abaixo dos níveis registrados no ano anterior nos próximos meses, cenário que pode manter os preços elevados e prolongar a pressão sobre setores dependentes do diesel.
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