Demanda por etanol reage e preços podem ganhar força

Demanda por etanol reage e preços podem ganhar força

A demanda por etanol hidratado começa a apresentar sinais de recuperação no mercado brasileiro, após um período de preços mais baixos. A mudança no comportamento das distribuidoras pode abrir espaço para uma reação nas cotações do biocombustível nas próximas semanas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A avaliação consta em análises recentes do BTG Pactual, que identificou aumento na procura pelo etanol. O movimento ocorre depois de meses de preços mais competitivos, que ajudaram a estimular o consumo.

De acordo com os dados analisados pelo mercado, a recuperação da demanda já aparece nas compras realizadas pelas distribuidoras. Os níveis de estoque também passaram a ser observados com mais atenção pelos agentes do setor.

Preço pode reagir com aumento da procura

O principal ponto de atenção está na relação entre oferta e demanda. Com as distribuidoras voltando a comprar mais etanol, uma continuidade desse movimento pode reduzir a disponibilidade do produto no mercado e favorecer uma recuperação dos preços.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A possibilidade, porém, não representa uma previsão de alta imediata nas bombas. O comportamento das cotações dependerá da evolução das compras, dos estoques e da oferta das usinas ao longo da safra.

O mercado também acompanha a produção de etanol de milho, que vem ampliando a oferta do biocombustível no Brasil. O crescimento dessa indústria adiciona novos volumes ao mercado e influencia a formação dos preços.

Etanol ganha espaço com nova composição da gasolina

Outro fator que pode contribuir para a competitividade do etanol é a mudança na composição da gasolina brasileira.

Desde 1º de agosto, a gasolina passou a contar com 32% de etanol anidro, no padrão conhecido como E32. A alteração modifica a relação de consumo entre gasolina e etanol hidratado e pode favorecer a utilização do biocombustível em determinadas condições de preço.

A tradicional referência de que o etanol seria vantajoso quando custasse até 70% do preço da gasolina também mudou. Com o E32, cálculos apontam que o biocombustível pode continuar competitivo em uma relação próxima de 78%, embora o resultado dependa do veículo e do consumo real.

Reflexos para o agronegócio

A reação do mercado de etanol também interessa diretamente ao setor sucroenergético e às regiões produtoras de milho.

No Centro-Oeste, o avanço da produção de etanol de milho transformou o biocombustível em um importante destino para parte da produção do cereal. Para Goiás e o Sudoeste Goiano, isso amplia as alternativas de comercialização e cria uma ligação ainda maior entre o mercado de grãos e o setor de combustíveis.

A recuperação do consumo, caso se consolide, pode melhorar o ambiente para as usinas e aumentar a atenção sobre os preços do etanol durante a safra.

Por outro lado, a expansão da oferta de etanol de milho continua sendo um fator de equilíbrio. O crescimento da produção pode limitar altas mais acentuadas caso o volume disponível avance no mesmo ritmo da demanda.

Mercado acompanha próximos meses

O cenário atual combina uma demanda que começa a reagir, preços que permaneceram mais competitivos durante meses e uma oferta que segue sendo reforçada pela expansão do etanol de milho.

Para os consumidores, uma eventual alta dependerá de como esse equilíbrio entre oferta e demanda vai evoluir.

Para produtores e usinas, a recuperação do consumo representa um sinal positivo, mas ainda exige cautela.

O mercado agora acompanha se o aumento das compras pelas distribuidoras será suficiente para sustentar uma nova trajetória de preços no setor.

Share this content:

Gessica Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.