Novo medicamento mostra perda de até 23,4% do peso em pessoas com diabetes

Novo medicamento mostra perda de até 23,4% do peso em pessoas com diabetes

Um novo medicamento experimental desenvolvido pela Eli Lilly apresentou resultados expressivos contra a obesidade em pessoas com diabetes tipo 2. A retatrutida, considerada uma possível próxima geração dos medicamentos que incluem o Mounjaro, levou participantes de um estudo clínico a perderem, em média, até 23,4% do peso corporal em determinados grupos.

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Os resultados fazem parte do estudo TRIUMPH-2, de fase 3, apresentado durante a reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália, e publicado simultaneamente na revista científica The Lancet. O levantamento avaliou pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade.

Na análise, participantes com índice de massa corporal (IMC) inicial de pelo menos 35 que receberam a dose de 12 mg da retatrutida perderam, em média, 27,5 quilos, correspondentes a 23,4% do peso corporal.

Considerando todos os participantes tratados, as perdas médias variaram conforme a dose utilizada. Com 4 mg, a redução média foi de 12,7% do peso; com 9 mg, chegou a 19,1%; e com 12 mg, ficou em 20,8%.

Efeito também sobre a glicemia

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Além da redução de peso, a retatrutida apresentou resultados no controle do diabetes. Os participantes que receberam as doses de 9 mg e 12 mg tiveram redução média de 1,6 e 1,5 ponto percentual, respectivamente, na hemoglobina glicada, indicador utilizado para acompanhar o controle da glicose no sangue.

Na dose de 4 mg, a redução média da hemoglobina glicada foi de 1,4 ponto percentual. Segundo os dados divulgados, até 40% dos participantes chegaram a níveis considerados normais de glicemia.

O estudo também registrou alterações em alguns fatores associados ao risco cardiovascular. Entre os participantes que receberam 12 mg, houve redução média de 39,5% nos triglicerídeos, 19,6% no colesterol não HDL e 10,8 mmHg na pressão arterial sistólica.

Como funciona a retatrutida

A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos que atuam simultaneamente sobre três vias hormonais relacionadas ao metabolismo: GLP-1, GIP e glucagon.

Essa característica diferencia a molécula de medicamentos como a semaglutida, presente em produtos como Ozempic e Wegovy, que atua sobre o GLP-1, e da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, que combina as ações de GLP-1 e GIP.

A proposta da retatrutida é combinar efeitos sobre a saciedade, o controle da glicose e o metabolismo energético, o que pode contribuir para uma redução significativa do peso corporal.

Medicamento ainda não está aprovado

Apesar dos resultados dos estudos, a retatrutida ainda é experimental e não está disponível como medicamento aprovado para tratamento de diabetes ou obesidade.

A Eli Lilly informou que pretende solicitar a avaliação da agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, no primeiro trimestre de 2027. Portanto, os resultados dos ensaios clínicos não significam que o medicamento já possa ser utilizado regularmente pelos pacientes.

Entre os efeitos adversos mais frequentemente observados durante o estudo estavam diarreia, náusea, constipação, redução do apetite e vômitos. Também foram relatados casos de alterações desagradáveis na sensibilidade da pele e infecções urinárias.

Os pesquisadores classificaram a maior parte desses eventos como leves ou moderados, com resolução durante o tratamento. A segurança e a eficácia da molécula ainda dependem da conclusão do processo de desenvolvimento e das avaliações das autoridades regulatórias.

Gessica Vieira

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