Ostra em lata: Brasil cria produção inédita

Ostra em lata: Brasil cria produção inédita

Uma iniciativa desenvolvida em Florianópolis criou uma nova alternativa para a cadeia de frutos do mar no Brasil: a produção de ostras em conserva. O projeto levou cerca de 18 meses entre pesquisas e testes e contou com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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A proposta vai além de colocar um novo produto nas prateleiras. A tecnologia pode ajudar produtores a enfrentar um dos principais desafios da maricultura: as oscilações na produção provocadas por condições climáticas.

Santa Catarina concentra cerca de 98% da produção brasileira de ostras e mariscos. Em Florianópolis, a maricultura faz parte da economia local desde a década de 1980 e também está ligada ao turismo e à geração de renda para famílias que trabalham com a atividade.

Novo formato amplia possibilidades para o produto

A ideia de produzir ostras em lata surgiu a partir da busca por uma forma de levar os frutos do mar catarinenses para além dos restaurantes e pontos tradicionais de comercialização.

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Além das ostras, o processo desenvolvido também pode ser utilizado para outros produtos, como mexilhões, lulas e polvos. A diversificação cria novas possibilidades de venda e permite que o consumidor tenha acesso aos produtos por um período maior.

O desenvolvimento exigiu cuidados específicos para preservar características como sabor, textura e aparência dos alimentos.

Pesquisa ajudou a garantir segurança do produto

A participação da UFSC foi importante para definir os parâmetros necessários ao processamento. Os pesquisadores trabalharam especialmente nos procedimentos relacionados à esterilização e à segurança microbiológica dos alimentos.

Como os produtos enlatados possuem maior período de armazenamento, o controle das etapas de produção é fundamental para garantir a segurança alimentar.

A unidade responsável pela fabricação recebeu certificação do Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, trata-se da primeira indústria brasileira autorizada a produzir conservas enlatadas de ostras e mexilhões.

Alternativa diante das oscilações da maricultura

A novidade também surge em um momento de desafios para os produtores catarinenses. Mudanças nas condições do ambiente marinho podem provocar períodos de maior ou menor disponibilidade de moluscos.

Com a industrialização, parte da produção pode ganhar uma nova forma de comercialização, agregando valor ao produto e ampliando as possibilidades para os maricultores.

Pesquisadores avaliam que a diversificação de produtos e embalagens pode contribuir para alcançar novos mercados e reduzir a dependência da venda do molusco fresco.

Produto também aposta no turismo

A iniciativa tem ainda uma ligação direta com o turismo de Florianópolis. A proposta é permitir que visitantes levem para casa uma versão industrializada de um dos produtos que representam a gastronomia da região.

As primeiras opções já chegaram ao mercado, com diferentes tipos de frutos do mar enlatados e preços que variam de acordo com o produto.

A experiência catarinense mostra como pesquisa, tecnologia e inovação podem criar novos caminhos para uma atividade tradicional. Para a maricultura, a transformação das ostras em produtos de maior durabilidade pode representar uma nova etapa de agregação de valor e expansão comercial.

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Gessica Vieira

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