Onda de frio exige atenção redobrada com o gado no campo

Onda de frio exige atenção redobrada com o gado no campo

A onda de frio que atinge diversas regiões do Brasil tem colocado produtores rurais em estado de atenção. As baixas temperaturas, especialmente quando acompanhadas de ventos fortes e chuvas, podem provocar estresse térmico nos animais de produção, comprometendo a saúde do rebanho e afetando a produtividade das propriedades.

Segundo o médico veterinário Ricardo Lemos, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o frio extremo provoca um desequilíbrio fisiológico que exige planejamento e manejo adequado para minimizar seus efeitos.

De acordo com o especialista, a sensação térmica enfrentada pelos animais não depende apenas da temperatura registrada pelos termômetros. Fatores como umidade, vento e exposição prolongada às intempéries aumentam a perda de calor corporal e elevam os riscos para o rebanho.

Um dos principais aliados na proteção dos animais é o bom estado nutricional. Ricardo Lemos explica que a gordura corporal atua como um isolante térmico natural, ajudando o organismo a manter a temperatura adequada durante os períodos mais frios.

No entanto, o veterinário ressalta que esse preparo deve ocorrer antes da chegada das ondas de frio. Segundo ele, quando as temperaturas já caíram drasticamente, muitas vezes não há tempo suficiente para recuperar a condição corporal dos animais e garantir a proteção necessária.

Além da alimentação adequada, o especialista chama a atenção para a necessidade de oferecer abrigo ao rebanho. Com o avanço dos sistemas intensivos de produção, muitas propriedades reduziram áreas de proteção natural, deixando os animais mais expostos às condições climáticas adversas.

Para reduzir os impactos do frio, a recomendação é investir em alternativas de conforto térmico, como estruturas de abrigo e preservação das áreas de mata nativa, que funcionam como barreiras naturais contra ventos e oferecem refúgio aos animais.

Outro fator que merece atenção é a adaptação das diferentes raças às baixas temperaturas. Conforme Ricardo Lemos, os bovinos taurinos, de origem europeia, costumam apresentar maior resistência ao frio quando comparados às raças zebuínas, originárias da Índia. Ainda assim, nenhuma delas está totalmente livre dos efeitos provocados por condições climáticas extremas.

Especialistas reforçam que o planejamento nutricional, a oferta de abrigo e o manejo adequado são fundamentais para preservar o bem-estar animal, evitar perdas produtivas e garantir a sustentabilidade da atividade pecuária durante o inverno.

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Gessica Vieira

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