1 em cada 5 universitários no Brasil tem ideação suicida, alerta estudo

1 em cada 5 universitários no Brasil tem ideação suicida, alerta estudo

A presença de estudantes universitários enfrentando sofrimento psicológico deixou de ser exceção e passou a integrar o cotidiano acadêmico. Um estudo recente revela que quase um em cada cinco universitários brasileiros apresenta ideação suicida, acendendo um alerta importante para instituições de ensino.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal Fluminense, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com resultados publicados na revista The Lancet Regional Health – Americas.

Muito além da depressão

Embora a depressão seja frequentemente associada à ideação suicida, os pesquisadores destacam que essa relação não é exclusiva. Outros fatores, como solidão, experiências na infância e nível de otimismo, também exercem papel relevante.

A análise considerou diferentes dimensões da experiência humana, permitindo uma visão mais ampla do problema.

Retrato da pesquisa

O estudo contou com 3.828 participantes, recrutados por meios digitais. A maioria era composta por mulheres e jovens adultos entre 18 e 39 anos.

Os voluntários também informaram diagnósticos prévios de transtornos mentais, como depressão e ansiedade, contribuindo para um panorama mais completo da saúde mental na comunidade acadêmica.

Uso de tecnologia na análise

Os dados foram analisados com ferramentas de aprendizado de máquina, especialmente o modelo Multiple Kernel Learning (MKL), capaz de identificar padrões complexos.

A ideação suicida foi avaliada a partir de relatos recentes de pensamentos sobre morte ou autolesão.

Números que preocupam

Os resultados indicam que 18,86% dos participantes apresentaram ideação suicida — um índice considerado elevado.

Além da depressão, fatores como solidão, histórico de maus-tratos emocionais e baixos níveis de otimismo tiveram influência significativa.

Fatores de risco e proteção

O estudo identificou o otimismo como um importante fator de proteção, reduzindo a probabilidade de pensamentos suicidas.

Por outro lado, a solidão e experiências negativas na infância aumentam a vulnerabilidade emocional.

Prevenção e caminhos possíveis

Os pesquisadores defendem a adoção de estratégias mais amplas nas universidades, incluindo apoio psicológico, ações de integração social e políticas de prevenção.


Créditos:
Este artigo foi originalmente publicado no The Conversation Brasil.
Autores: pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Gessica Vieira

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