Nova seleção genética mira menos custo e menos metano

Nova seleção genética mira menos custo e menos metano

A busca por uma pecuária mais eficiente e sustentável tem impulsionado novas estratégias de seleção genética no Brasil. Provas conduzidas pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), estão avaliando animais com foco na redução de custos e menor emissão de metano.

As avaliações reúnem 31 animais de criatórios do Rio Grande do Sul e têm como objetivo identificar indivíduos capazes de produzir a mesma quantidade de carne com menor consumo de alimento e menor impacto ambiental.

A Prova de Eficiência Alimentar (PEA) mede o desempenho dos animais quanto ao ganho de peso com menor ingestão de alimento. Paralelamente, a Prova de Emissão de Gases (PEC) monitora a quantidade de metano liberada durante o período de avaliação.

Com a adoção de novos equipamentos pela Embrapa, as duas provas passaram a ser realizadas simultaneamente, ampliando o volume de dados e a precisão das análises. Em edições anteriores, a medição dos gases era feita apenas após a etapa alimentar.

A estrutura conta com comedouros e bebedouros equipados com balanças, permitindo o acompanhamento individual dos animais e um número maior de pesagens ao longo do teste. A integração das avaliações possibilita identificar linhagens mais eficientes, tanto do ponto de vista produtivo quanto ambiental.

Além dos ganhos técnicos, a iniciativa também pode gerar impacto econômico positivo para os produtores. A identificação de animais que consomem menos para produzir o mesmo volume de carne contribui diretamente para a redução de custos dentro do sistema produtivo.

Outro avanço importante está na mensuração da emissão de metano durante o próprio período da prova, o que aumenta a confiabilidade dos dados e permite selecionar linhagens com menor impacto ambiental.

Os dados acumulados ao longo das edições devem contribuir para a formação de uma base de referência genética, viabilizando o desenvolvimento de Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) voltadas à eficiência alimentar e à emissão de gases.

Com a incorporação dessas informações em programas de melhoramento genético, os produtores poderão comparar animais não apenas pelo desempenho produtivo, mas também pelo consumo e pelo impacto ambiental.

A iniciativa faz parte de uma parceria de quase 30 anos entre as instituições e representa um avanço na integração entre produtividade, sustentabilidade e gestão de custos na pecuária brasileira.

A atual edição das provas está na fase final e será encerrada com um dia de campo, quando serão apresentados os resultados e as perspectivas para ampliar a participação de criadores nas próximas avaliações.

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Gessica Vieira

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