Goiás projeta safra de até 80 milhões de toneladas de cana e intensifica foco na produção de etanol
Goiás deve registrar um processamento entre 80 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, conforme estimativa inicial do Sifaeg e do Sifaçúcar. A projeção reforça a vocação histórica do estado voltada à produção de etanol, que segue como principal destino da matéria-prima.
Nas últimas safras, cerca de 70% da cana processada em Goiás foi direcionada à produção de biocombustível. A tendência, segundo o presidente executivo das entidades, André Rocha, deve se intensificar nos próximos anos.
De acordo com ele, muitas unidades industriais não possuem estrutura para produção de açúcar, o que mantém o mix produtivo concentrado no etanol. Além disso, o cenário atual de preços e a maior liquidez do biocombustível fortalecem essa escolha estratégica do setor.
Etanol de milho ganha protagonismo
O etanol de milho avança de forma consistente em Goiás e deve ampliar sua participação na matriz produtiva estadual. O crescimento é impulsionado por novas unidades, plantas flex e projetos em expansão.
Entre os destaques está a nova unidade da Inpasa, em Rio Verde, com início de operação previsto para o fim deste ano. Também seguem em andamento os investimentos do Grupo São Martinho, em Quirinópolis e Serranópolis, além das expansões do CerradinhoBio.
Na unidade da Neomille, em Chapadão do Céu, estão sendo investidos R$ 140 milhões, com aumento de aproximadamente 30% na capacidade produtiva. A planta deverá atingir 1,2 milhão de toneladas de milho por ano, com início das operações previsto para agosto.
Já o Grupo São Martinho investe R$ 1,1 bilhão na ampliação da unidade de Quirinópolis. A capacidade será de 635 mil toneladas de milho por ano, com produção estimada de 270 mil metros cúbicos de etanol, além de subprodutos como DDGS e óleo de milho. Em Serranópolis, a Energética Serranópolis aplica R$ 60 milhões para iniciar o processamento do grão ainda em 2026.
Outro projeto relevante é o da Eber Bio, em Montes Claros, com previsão de início da produção no fim de 2026.
Segundo André Rocha, o milho tem se consolidado como vetor estratégico para o estado. Com os investimentos anunciados, Goiás tende a alcançar a segunda posição nacional na produção de etanol de milho.
Avanço em biogás e biometano
Além do etanol, Goiás também amplia sua atuação na produção de biogás e biometano. Projetos em desenvolvimento devem aumentar a oferta de energia renovável e fortalecer a agenda de descarbonização.
O estado tem se destacado por iniciativas voltadas à transição energética, como a adoção de ônibus movidos a biometano no transporte público. Para o setor, no entanto, é fundamental garantir competitividade e segurança jurídica para sustentar os investimentos.
Impactos do cenário internacional
O cenário internacional segue como fator de atenção para o setor sucroenergético. O conflito no Oriente Médio gera incertezas, principalmente pelo impacto nos preços do petróleo.
A alta do diesel pressiona os custos operacionais, afetando etapas como colheita e transporte da cana, o que reduz as margens das usinas. Além disso, o mercado de fertilizantes preocupa, já que o Brasil depende de importações para suprir a demanda interna.
Oscilações geopolíticas podem elevar o custo desses insumos e impactar a produtividade das lavouras. Para o setor, a volatilidade nos preços e no câmbio torna o planejamento mais desafiador.
Apesar de oportunidades pontuais, como o fortalecimento do etanol, o curto prazo deve ser marcado por pressão de custos e maior risco. Diante desse cenário, a busca por eficiência operacional e a redução da dependência de insumos importados tornam-se estratégias essenciais para produtores e indústrias.
Por Gessica Vieira
Foto: Karol Peres
Jornalismo Portal Pn7
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