Exportação de milho do Brasil para Europa deve saltar em outubro
Embarques podem alcançar 1,65 milhão de toneladas, ante cerca de 200 mil toneladas no mesmo período de 2025, segundo a corretora Stag International.
As exportações de milho do Brasil para países europeus devem crescer significativamente em outubro de 2026, com embarques estimados em 1,65 milhão de toneladas, ante aproximadamente 200 mil toneladas no mesmo mês do ano passado. A projeção é da corretora Stag International, divulgada em relatório nesta quarta-feira (21).
Segundo a empresa, o cereal brasileiro está ganhando espaço no mercado europeu diante da redução dos embarques da Ucrânia e da quebra da safra de milho na União Europeia. Nesse cenário, o Brasil pode ampliar sua participação no fornecimento do produto aos países do bloco.
A Stag avalia que o milho brasileiro está, na prática, substituindo parte da oferta ucraniana. Os embarques da Ucrânia para países vizinhos foram prejudicados por ataques russos a estruturas de exportação, incluindo portos.
Quebra de safra aumenta necessidade de importação
A seca reduziu a produção de milho da União Europeia em 2026 para cerca de 48 milhões de toneladas, o menor volume deste século, segundo dados da Comissão Europeia citados no relatório.
Com a menor disponibilidade interna, as importações europeias de milho aumentaram 40% no acumulado da safra 2026/27 até meados de outubro. Os Estados Unidos aparecem como principal origem do produto, seguidos pelo Brasil, conforme dados da Comissão Europeia divulgados na terça-feira (20).
A Stag, porém, avalia que os fornecedores sul-americanos estão mais competitivos que os norte-americanos neste momento. Além do Brasil, a Argentina também integra a oferta regional.
Segundo o relatório, os prêmios FOB atuais indicam que a América do Sul pode manter vantagem competitiva ao longo de dezembro e janeiro, com possibilidade de extensão desse cenário até fevereiro.
Brasil pode superar 1 milhão de toneladas para a Europa
Dados de programação de navios para outubro nos portos brasileiros, divulgados pela agência marítima Cargonave, indicam que os embarques de milho do Brasil para países europeus podem superar 1 milhão de toneladas no mês. A Espanha aparece entre os principais destinos.
Na terça-feira (20), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou sua previsão para as exportações brasileiras de milho em outubro. A entidade estima um volume total próximo de 7 milhões de toneladas, mais de 1 milhão de toneladas acima do registrado no mesmo mês de 2025.
A Anec, entretanto, não detalhou os destinos dessas exportações.
Competitividade dos Estados Unidos está no radar
Apesar da perspectiva favorável para o milho sul-americano, a concorrência internacional continua sendo um fator importante para o mercado.
A Stag avalia que, se as vendas externas dos Estados Unidos não acelerarem de forma significativa, os preços do milho na Bolsa de Chicago poderão precisar recuar ainda mais para recuperar competitividade e preservar a participação norte-americana no comércio global.
Brasil e Argentina colheram safras recordes de milho em 2026. No caso brasileiro, porém, as exportações têm sido menores do que em anos anteriores, em parte devido à forte demanda interna do cereal para a produção de etanol de milho.
O desempenho dos embarques nos próximos meses dependerá, entre outros fatores, da competitividade dos fornecedores, da demanda internacional e da disponibilidade de milho nos principais países produtores.





