Embrapa lança sistema gratuito de rastreamento que pode ampliar exportações do agro
Tecnologia permite acompanhar a origem da soja, do café e da carne bovina e comprovar a conformidade da produção brasileira com exigências internacionais.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu uma tecnologia digital gratuita para rastrear produtos agropecuários desde a propriedade rural até o mercado consumidor. Batizada de Embrapa Trace, a ferramenta já está disponível em fase de pré-lançamento para as cadeias de soja, café e carne bovina.
A solução foi criada para ajudar o setor produtivo a comprovar a conformidade ambiental e sanitária dos produtos brasileiros. A iniciativa também busca facilitar o atendimento às exigências de mercados internacionais e fortalecer a competitividade das exportações do agronegócio.
Entre as regulamentações atendidas está o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento, conhecido como EUDR, além de regras relacionadas ao controle de antimicrobianos na produção animal. Essas exigências têm ampliado a necessidade de informações confiáveis sobre a origem e as condições de produção das commodities.
Com a Embrapa Trace, cada etapa da cadeia produtiva pode ser acompanhada individualmente. O sistema permite registrar informações sobre propriedades, produtores, áreas de cultivo, práticas agrícolas, origem, volume e data da produção.
A rastreabilidade também contempla as etapas de transporte, armazenamento e processamento, mantendo a identificação dos produtos até o destino comercial.
Como funciona a tecnologia?
O processo começa com o fornecimento de dados pelos produtores rurais. Essas informações são utilizadas por indústrias, frigoríficos, esmagadoras e cooperativas para validar as etapas da produção.
Na sequência, empresas comercializadoras registram dados de origem e destino. Organismos independentes, como certificadoras e verificadoras, podem utilizar essas informações para atestar a conformidade dos produtos.
A tecnologia também se integra a outras soluções desenvolvidas pela pesquisa pública brasileira, como o TerraClass, projeto da Embrapa em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e o ElegiAgro, sistema que automatiza análises de elegibilidade agroambiental.
Segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Anderson Alves, a ferramenta padroniza informações autodeclaradas, valida certificações e reúne evidências de sustentabilidade e rastreabilidade em um parecer único de conformidade, funcionando como uma espécie de passaporte digital do produto.
Ferramenta pode reduzir custos para produtores
Além de facilitar o acesso a mercados internacionais, a tecnologia pode reduzir custos e diminuir o retrabalho de produtores, cooperativas e empresas que precisam comprovar o cumprimento de diferentes exigências comerciais.
A assessora técnica do Conselho Nacional do Café (CNC), Luiza Kreimeier, destaca que a integração das informações pode facilitar a demonstração da origem e das condições de produção, especialmente na cadeia cafeeira.
Ela também avalia que a oferta de uma tecnologia gratuita e validada por uma instituição oficial pode ajudar a reduzir despesas que atualmente pesam sobre as cooperativas e acabam sendo repassadas aos produtores.
O chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira, aponta que a ferramenta permite estruturar uma base nacional de informações confiáveis sobre a produção sustentável, evitando a duplicidade de esforços e oferecendo mais segurança aos diferentes participantes do setor.
Integração com plataforma do Ministério da Agricultura
A Embrapa Trace será disponibilizada como parte da Plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A tecnologia também pode ser acessada por meio da plataforma AgroAPI.
Os relatórios de conformidade gerados em cada etapa da produção poderão ser consultados por meio de QR Code. O recurso oferece informações técnicas que podem auxiliar o Brasil nas negociações para abertura de mercados e na contestação de possíveis barreiras comerciais.
De acordo com representantes do governo, a integração entre rastreabilidade e avaliação socioambiental amplia a capacidade de demonstrar aos compradores internacionais que os produtos brasileiros atendem aos requisitos exigidos.
A Embrapa informou ainda que pretende ampliar o sistema para outras cadeias produtivas, incluindo cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados, como atum e tilápia.
A iniciativa representa mais um avanço na digitalização do agronegócio brasileiro e na busca por maior transparência sobre a origem e a sustentabilidade dos produtos comercializados no mercado internacional.







