Inadimplência no agronegócio atinge maior nível da série e acende alerta para o crédito rural

Inadimplência no agronegócio atinge maior nível da série e acende alerta para o crédito rural

A inadimplência entre produtores rurais brasileiros voltou a crescer e alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior índice da série histórica da Serasa Experian. O levantamento revela um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado e de 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

O indicador considera dívidas de pessoas físicas ligadas ao agronegócio com atraso superior a 180 dias. Segundo a Serasa Experian, o avanço da inadimplência reflete um cenário em que muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para recompor o fluxo de caixa após períodos de custos elevados, oscilações nos preços das commodities e restrições no acesso ao crédito.

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O estudo aponta que os maiores índices de inadimplência foram registrados entre produtores sem informação de registro rural, grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos econômicos, com taxa de 11%. Na sequência aparecem os grandes produtores, com 9,9%, os médios, com 8,6%, e os pequenos produtores, com 8,3%.

Outro dado que chama a atenção é o perfil dos produtores mais afetados. A maior concentração de inadimplência está na faixa etária de 30 a 39 anos, seguida pelos agricultores entre 18 e 29 anos e de 40 a 49 anos. A partir dos 50 anos, os índices apresentam queda gradual.

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Centro-Oeste também registra índice elevado

Na análise regional, o Norte lidera o ranking de inadimplência, com 13,2% dos produtores em atraso. Em seguida aparecem Nordeste, com 10,2%, e Centro-Oeste, com 10,1%, percentual acima da média nacional. O cenário preocupa especialmente estados com forte vocação agrícola, como Goiás, onde o crédito rural é fundamental para financiar o custeio das lavouras e os investimentos em tecnologia e expansão da produção.

Risco de crédito aumenta

Além do crescimento da inadimplência, a pesquisa mostra uma deterioração na capacidade de crédito dos produtores. A pontuação média do Agro Score, indicador utilizado para avaliar o risco financeiro no campo, caiu de 606 para 591 pontos em um ano, indicando maior cautela por parte de bancos, cooperativas e empresas na concessão de financiamentos.

Especialistas avaliam que a recuperação da capacidade financeira dos produtores dependerá da combinação de boas safras, preços remuneradores, acesso ao crédito e medidas que auxiliem na renegociação das dívidas. Enquanto isso, o aumento da inadimplência reforça o desafio de manter investimentos e garantir o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro.

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Gessica Vieira

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