Agronegócio

Ciclo pecuário pode aumentar a rentabilidade da pecuária de corte

O assunto foi debatido na TECNOSHOW COMIGO pelo fundador e editor da Carta Pecuária, Rogério Goulart.

Não existe uma forma simples para ganhar dinheiro com a pecuária de corte, seja na criação ou no ramo de engorda de gado. Mas perceber a movimentação do mercado no que se refere a preços e à disponibilidade de animais para comercialização pode ajudar o produtor de gado a melhorar seus rendimentos. É o que defende o pecuarista e editor da publicação Carta Pecuária, Rogério Goulart, há pelo menos 15 anos, quando começou a difundir o conceito de ciclo pecuário no Brasil. “Ainda não são todos os produtores que tem o reconhecimento de que essa ferramenta pode ser usada para melhorar o negócio e não perder dinheiro. Muitos sabem que existe o ciclo, mas poucos sabem o seu significado e importância”, analisou o pecuarista durante a palestra ‘Mercado Pecuário’ na tarde desta quinta-feira, 14, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO).

Estudada por especialistas nos Estados Unidos desde 1993, essa metodologia de análise do segmento é caracterizada pela flutuação dos preços do gado e da carne, com fases de baixa e de alta que se repetem de tempos em tempos. Apesar de não ser perceptível claramente e de não existir períodos iguais, o ciclo pecuário gira em torno de dois fatores principais: a oferta de matrizes para o abate e o preço do bezerro no mercado. “Todo ciclo tem seu ponto de partida: quando o bezerro sai a preço baixo para o criador. Isso aconteceu aqui no Brasil de 2012 para 2013. Ou seja, o ano seguinte foi o início de um novo ciclo”, explicou.

A didática do ciclo pecuário compreende duas fases: contração a expansão. A primeira delas, segundo Gourlart, marca o início do ciclo, que é quando o bezerro está barato e o invernista opta por liquidar as matrizes, levando a uma diminuição na produção de bezerros e puxando o preço do boi gordo para baixo. Já na fase expansiva, também conhecida como de cria, as vacas estão escassas para abate a fim de aumentar a produção de bezerros, que estão saindo a um custo mais caro para o invernista. Com isso, o preço do boi gordo tende a subir. “É nessa última fase que estamos nesse momento no Brasil, o que pressupõe que o ciclo deve demorar a acabar. Entender esse presente é buscar saber o que poderá ocorrer daqui pra frente com relação aos preços dos animais”, garante o pecuarista.

Taxa cambial

A pecuária brasileira mantém uma faixa de crescimento nos últimos três anos, em decorrência da retenção de fêmeas e da valorização da carne brasileira para exportação, principalmente para a China. Mas as oscilações na taxa cambial registradas nos últimos meses têm mexido com a competitividade da carne que sai dos portos do País. Goulart considera que para sustentar as exportações a bons níveis para o produtor, a arroba do boi gordo deve girar em torno de R$ 160,00 na Bolsa de São Paulo, o que deve acontecer com o dólar batendo a casa dos R$ 4,00. Em caso de queda no valor da moeda americana, a tendência é de alta na arroba da carne brasileira, gerando problemas nas vendas para o exterior.

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