Carro automático usado: 6 dicas para fazer um bom negócio ao comprar

Carro automático usado: 6 dicas para fazer um bom negócio ao comprar

1 mês atrás 2 Por Redação Portal PaNoRaMa

Está pensando em comprar um carro com transmissão automática? Se for seu caso, saiba que muitos querem o mesmo, tanto que nunca se vendeu proporcionalmente tantos veículos assim como hoje.

A boa notícia é que as transmissões atuais estão cada vez melhores, seja na robustez ou na eficiência, portanto “roubam” menos potência do motor e os mantém mais econômicos, diferentemente do que acontecia no passado, quando essa era uma das objeções de quem nem cogitava a compra de um carro automático por serem mais fracos e beberrões.

A má notícia é que algumas transmissões são historicamente problemáticas por natureza, ou então não foram bem utilizadas por seus donos, dando sinais de que estão próximas de quebrar.

Sendo assim, decidi relatar algumas dicas do que pode ser feito no momento que você estiver avaliando um carro automático usado, minimizando as chances de arrumar uma grande dor de cabeça no futuro.

A escolha do modelo

Antes de qualquer coisa é preciso pesquisar sobre o modelo do seu interesse. Eu já escrevi algumas vezes sobre isso, citando carros automáticos que são verdadeiras ciladas no mercado de usados por apresentarem problemas frequentes.

Também não faltam conteúdos sobre isso disponíveis na internet, ou seja, não tem como comprar um automático com fama de problemático no escuro. Mesmo um modelo mais exclusivo, com pouca oferta no mercado, certamente vai ter algo disponível.

A dica que dou para quem quiser aprofundar a pesquisa é identificar o código da transmissão. Com essa informação, fica fácil descobrir outros modelos de carros que utilizam a mesma transmissão, mesmo que o fabricante chame por outros nomes.

Por exemplo, a problemática caixa Powershift da Ford já foi chamada de MPS6 na Volvo e 6DCT250 na Caoa Chery. Uma rápida pesquisa na internet vai te mostrar que se trata basicamente da mesma transmissão, somente com algumas variações, portanto quem não quer se arriscar pode evitar modelos com essas transmissões de uma dessas marcas.

Teste de Stall

Durante a inspeção do carro escolhido é possível testar o conversor de torque, componente que fica entre o motor e a transmissão. Ele é conhecido como “stall test” e deve ser feito quando a temperatura do motor e da transmissão já estiverem na faixa ideal de uso, ou seja, não é recomendado que o teste seja feito nos primeiros minutos de funcionamento do motor, quando ainda está em sua fase fria.

No teste é preciso colocar a alavanca em “D”, acionar o freio com o pé esquerdo e pisar no acelerador até o fim com o pé direito. O carro deve ficar parado, mas por segurança é recomendado que esteja em um lugar aberto e sem ninguém ao seu redor, já que o motor está sendo acelerado com o câmbio engatado e algo de errado pode acontecer.

Feito isso, observe a rotação do motor no conta-giros, que deve ficar próximo de 2500 rpm. Depois, faça o mesmo com a alavanca em “R”. Caso o giro do motor suba muito além disso em qualquer uma das duas situações, é provável que o conversor de torque esteja patinando. O reparo de um conversor de torque não é barato, pois exige mão de obra especializada, então é prudente desistir da compra de um carro que apresente essa falha.

Teste dos coxins da transmissão

Os coxins são suportes que sustentam motor e transmissão na carroceria de um carro. Como esses componentes mecânicos tendem a vibrar em funcionamento, os coxins são feitos de materiais elásticos, como a borracha, com o objetivo de filtrar essas vibrações, preservando a estrutura da carroceria e o conforto dos ocupantes.

Visualmente é possível ter uma ideia do estado de conservação de um coxim, mas geralmente o acesso é ruim, dificultando essa checagem. Outra forma de poder sentir se ainda estão bons é mudar as posições da alavanca com o carro parado e motor ligado. Ao passar do “P” para “R”, a troca precisa ser suave, sem nenhum tranco.

Faça o mesmo passando de maneira mais lenta entre o “N”, até chegar em “D”. Da mesma forma, essas trocas precisam ser suaves. Caso seja possível sentir trancos nessas trocas, é possível que os coxins da transmissão estejam desgastados.

São peças que se desgastam, seja por tempo de funcionamento ou de vida, portanto não é motivo para se desesperar. O custo para substituir um coxim não é dos mais baixos, mas ainda assim é perfeitamente pagável, ou seja, vale a pena pesquisar o custo para a troca e tentar negociar no preço do carro.

Teste do cabo seletor

Sempre que mudar a posição da alavanca observe se a posição escolhida é a mesma que aparece nos mostradores do painel do carro.

Por exemplo, a alavanca está em “D”, mas no painel ainda acusa “N”, e de fato o carro não sai do lugar depois de tirar o pé do freio. Nesse caso, é bem provável que o cabo que liga a alanca até a transmissão esteja com folga em uma das pontas. Algo simples e barato de ser resolvido, mas que pode ser um argumento para pedir desconto na negociação.

Tranquinhos com o carro parado

Durante o teste de rodagem observe a existência de pequenos trancos quando o motor estiver em marcha lenta, como por exemplo se estiver parado em um semáforo fechado. São como soquinhos, diferentes de uma vibração contínua. Caso isso aconteça, pode ter certeza que a transmissão está com algum problema e precisa de reparo.

A simples substituição do óleo da transmissão pode resolver, mas podem ser várias outras coisas que exigem que a caixa seja aberta, como peças mecânicas extremamente desgastadas, entupimento em uma das galerias ou falha em solenóides. Na dúvida, é melhor descartar a compra de um veículo automático usado com esse sintoma.

Histórico de manutenção

Existem dois tipos de manutenção: a preventiva, que não costuma pesar tanto no bolso, e a corretiva, que geralmente é bem cara. Transmissões automáticas são componentes robustos e de baixa manutenção, sendo que a melhor maneira de preserva-las por mais tempo para não correr riscos de quebras é substituir o óleo e filtros de maneira preventiva.

Não é tão barato como trocar óleo de um motor, pois além do cárter do câmbio ter maior capacidade do que o cárter do motor, o custo do litro do óleo específico para câmbio também é maior.

Por isso, muitos optam por não trocar, preferem colocar o carro à venda e repassar esse custo para o novo proprietário. Se o carro que está sendo avaliado estiver muito bom em outros aspectos, mas com atraso nessa troca, vale a pena tentar negociar o custo dessa manutenção, nem que cada uma das partes assuma metade desse custo.

Por Felipe Carvalho
Foto: Reprodução
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