Câncer de mama: hábitos do dia a dia podem aumentar risco de desenvolver a doença
Compreender o câncer de mama e os hábitos que aumentam o risco de desenvolver a doença tornou-se ainda mais importante diante do avanço dos casos em todo o mundo. Além disso, estudos recentes indicam que fatores ligados ao estilo de vida têm impacto direto no crescimento dos diagnósticos e das mortes associadas ao tumor.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o câncer de mama está entre as principais causas de morte entre mulheres. Ao mesmo tempo, a incidência é maior em países em desenvolvimento.
Além disso, um estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology aponta que os diagnósticos anuais podem saltar de 2,3 milhões para 3,5 milhões até 2050. Da mesma forma, as mortes relacionadas à doença podem crescer 44%, chegando a quase 1,4 milhão por ano.
Segundo especialistas, parte desse cenário está associada a fatores modificáveis. Ou seja, hábitos que podem ser alterados ao longo da vida e que respondem por mais de um quarto da carga global da doença.
Hábitos que aumentam o risco de câncer de mama
Diversos comportamentos do dia a dia podem contribuir para o aumento do risco da doença. Por isso, especialistas destacam alguns fatores considerados mais relevantes.
Inatividade física
Em primeiro lugar, o sedentarismo está associado ao aumento do risco de câncer de mama. Por esse motivo, especialistas recomendam a prática regular de exercícios físicos. Nesse sentido, a orientação é realizar entre 150 e 300 minutos semanais de atividade moderada. Alternativamente, também é possível praticar entre 75 e 150 minutos de exercícios intensos distribuídos ao longo da semana.
Excesso de peso e obesidade
Além do sedentarismo, o excesso de peso também representa um fator importante. Especialmente após a menopausa, o tecido adiposo passa a ser a principal fonte de estrogênio no organismo. Como consequência, níveis elevados desse hormônio podem estimular tumores sensíveis a hormônios.
Além disso, a obesidade está ligada à inflamação crônica e à resistência à insulina. Dessa forma, essas condições podem favorecer o desenvolvimento da doença.
Consumo de álcool
Outro fator associado ao aumento do risco é o consumo de álcool. Em geral, o risco cresce conforme a quantidade ingerida. Isso ocorre porque o álcool pode elevar os níveis de estrogênio no organismo. Além disso, a substância pode provocar danos ao DNA das células mamárias.
Assim, pesquisas indicam que até mesmo pequenas quantidades já estão associadas ao aumento do risco.
Tabagismo
Da mesma forma, o tabagismo também representa um fator de risco importante. Isso porque as substâncias presentes no cigarro expõem o tecido mamário a compostos cancerígenos. Consequentemente, essas substâncias podem provocar mutações genéticas.
Além disso, especialistas alertam que a exposição ao fumo passivo também pode causar prejuízos à saúde.
Terapia hormonal prolongada
Por outro lado, o uso prolongado da terapia de reposição hormonal combinada, com estrogênio e progesterona, também pode elevar o risco da doença. Esse impacto se torna maior quando o tratamento ultrapassa cinco anos. Especialmente na pós-menopausa, o acompanhamento médico torna-se ainda mais importante.
História reprodutiva
Além dos fatores comportamentais, algumas características da história reprodutiva também estão associadas ao aumento do risco. Entre elas estão a primeira gravidez após os 30 anos e a ausência de amamentação.
Além disso, a menarca precoce (antes dos 12 anos) e a menopausa tardia (após os 55 anos) também aparecem entre os fatores relacionados ao risco mais elevado.
Alimentação inadequada
Por fim, a alimentação também exerce influência no desenvolvimento da doença. Dietas ricas em gorduras saturadas e com alto consumo de carne vermelha podem contribuir para o aumento do risco.
Por outro lado, padrões alimentares mais equilibrados podem ajudar na prevenção. Um exemplo é a dieta mediterrânea, baseada em frutas, vegetais, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas. Dessa maneira, esse padrão alimentar está associado à redução da probabilidade de desenvolver o câncer de mama.
Casos crescem entre mulheres jovens
Além do aumento geral dos diagnósticos, especialistas também observam crescimento entre mulheres mais jovens. Entre 2004 e 2021, por exemplo, os casos da doença em mulheres de 20 a 39 anos aumentaram quase 3%.
Enquanto isso, entre mulheres de 70 a 79 anos, o crescimento foi menor. Portanto, os dados reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento médico em diferentes faixas etárias.
Fatores que não podem ser modificados
Apesar da influência do estilo de vida, alguns fatores de risco não podem ser alterados. Entre os principais estão:
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Ser mulher e ter mais de 50 anos
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Histórico familiar da doença
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Presença de mutações genéticas, como nos genes BRCA1 e BRCA2
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Fatores hormonais naturais ligados ao ciclo reprodutivo
Prevenção e detecção precoce
Diante desse cenário, especialistas recomendam que mulheres conversem com médicos sobre exames de rastreamento. Entre eles estão a mamografia e os exames clínicos regulares.
Além disso, é importante manter atenção a qualquer alteração nas mamas. Quanto mais cedo o diagnóstico ocorrer, maiores são as chances de tratamento eficaz.
Por fim, a adoção de hábitos saudáveis pode ajudar a reduzir o risco da doença. Manter o peso adequado, praticar exercícios físicos regularmente e seguir uma alimentação equilibrada são medidas importantes. Da mesma forma, reduzir o consumo de álcool e evitar o tabagismo também contribuem para a prevenção.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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