Alfabetização em Goiás reduz analfabetismo e transforma vidas

Alfabetização em Goiás reduz analfabetismo e transforma vidas

Goiás registra avanços consistentes na redução do analfabetismo entre jovens, adultos e idosos, resultado direto de políticas públicas voltadas à educação inclusiva. Nesse contexto, um dos principais destaques é o programa Alfabetização e Família, iniciativa do Governo de Goiás que já alfabetizou mais de 10,2 mil pessoas desde 2019.

Além disso, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua apontam uma queda de 32,2% na taxa de analfabetismo no Estado entre 2016 e 2023. Com isso, Goiás passa a figurar entre as unidades federativas que mais avançaram no enfrentamento ao problema nos últimos anos.


Programa amplia acesso à educação em todo o Estado

O programa é voltado para pessoas a partir de 15 anos que não tiveram acesso à escolarização na idade adequada. Atualmente, ele está presente em dezenas de municípios goianos, com 91 turmas em funcionamento.

Além da alfabetização básica, a iniciativa busca promover inclusão social, autonomia e cidadania. Sobretudo, o público idoso tem sido um dos mais beneficiados, já que concentra a maior parcela de analfabetos no país.

Ao mesmo tempo, a ação é coordenada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e integrada ao Goiás Social. Para ampliar sua capilaridade, o programa estabelece parcerias com prefeituras, secretarias municipais de Educação e unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras).


Ensino descentralizado facilita acesso e permanência

As aulas acontecem em espaços comunitários, como igrejas, associações e centros de convivência. Dessa forma, o acesso se torna mais fácil, principalmente para pessoas com dificuldades de locomoção.

Além disso, o modelo descentralizado reduz barreiras logísticas e incentiva a permanência dos alunos nas turmas. O curso tem duração média de seis meses, com encontros três vezes por semana.

Outro diferencial importante é o tamanho das turmas, que têm no máximo 10 alunos. Assim, o acompanhamento se torna mais individualizado. Os estudantes recebem material didático, uniforme e kit escolar, enquanto os alfabetizadores passam por capacitação específica e atuam como bolsistas.

Segundo a gerente de Educação de Jovens e Adultos, Istela Regina, o programa tem papel essencial na reconstrução de trajetórias interrompidas. Nesse sentido, ela destaca que a alfabetização resgata a dignidade e amplia as oportunidades de vida.


Histórias mostram transformação além dos números

Mais do que indicadores, os resultados aparecem na vida das pessoas. Por exemplo, aos 68 anos, Maria Evane voltou à sala de aula após décadas longe dos estudos.

De acordo com ela, o aprendizado representa não apenas o conhecimento das letras, mas também convivência, troca de experiências e fortalecimento de vínculos.

Da mesma forma, muitos idosos passam a conquistar independência em tarefas do dia a dia, como ler receitas médicas, utilizar transporte público e assinar documentos. Consequentemente, o processo de aprendizagem também contribui para a saúde mental e reduz o isolamento social.


Cenário nacional reforça importância de políticas públicas

A realidade de Goiás dialoga com o cenário nacional. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, cerca de 5,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais ainda eram analfabetos.

Isso representa 14,9% dessa faixa etária. Além disso, esse grupo concentra mais da metade dos analfabetos do país, o que evidencia a necessidade de políticas públicas direcionadas.


Alfabetização impacta saúde e inclusão social

Especialistas apontam que a alfabetização na terceira idade vai além da sala de aula. Em primeiro lugar, ela melhora a compreensão sobre tratamentos de saúde e uso correto de medicamentos.

Em casos de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, esse entendimento pode ser decisivo. Além disso, o aprendizado facilita o acesso a serviços públicos e ao ambiente digital.

Por outro lado, o domínio da leitura e escrita também reduz a vulnerabilidade a golpes financeiros. Assim, os idosos passam a tomar decisões com mais segurança e autonomia.


Desafio estrutural ainda exige continuidade

Apesar dos avanços, o analfabetismo entre idosos ainda representa um desafio estrutural no Brasil. Isso ocorre devido a desigualdades históricas e regionais que ainda persistem.

Fatores como renda, acesso à educação na infância e localização geográfica continuam influenciando os índices. Por esse motivo, especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas contínuas e integradas.


Goiás amplia programa e projeta novos avanços

Em Goiás, entretanto, a continuidade e expansão do programa Alfabetização e Família indicam uma tendência positiva. Atualmente, novas turmas são abertas todos os meses.

Além disso, o fortalecimento das parcerias locais permite alcançar mais pessoas em situação de vulnerabilidade educacional.

Dessa maneira, o avanço na alfabetização demonstra que investir em educação ao longo da vida é essencial para reduzir desigualdades e garantir direitos básicos. Por fim, iniciativas como a de Goiás reforçam que ações estruturadas podem transformar realidades e ampliar oportunidades para milhares de pessoas.

Share this content:

Gessica Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.