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Brasil reforça liderança mundial no algodão e amplia participação nas exportações

O Brasil reforçou sua posição no mercado internacional do algodão durante encontro realizado em Istambul, na Turquia. O país responde por 34% do comércio global da fibra e exportou 3,374 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Ganhos de produtividade, qualidade, fornecimento regular e rastreabilidade estão entre os fatores que sustentam a competitividade brasileira.

Brasil reforça liderança mundial no algodão e amplia participação nas exportações

O Brasil reforçou sua posição como principal exportador mundial de algodão durante o Cotton Brazil Luncheon, realizado na terça-feira (13), em Istambul, na Turquia. O encontro antecedeu a programação do ICA Trade Event 2026 e reuniu representantes da indústria têxtil, comerciantes e outros agentes da cadeia internacional da fibra.

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Atualmente, o país responde por 34% do comércio mundial de algodão, ante 7% há menos de uma década. O avanço é associado ao aumento da produtividade, aos investimentos em tecnologia, à qualidade da fibra e à capacidade de manter grandes volumes de fornecimento ao longo do ano.

Exportações brasileiras de algodão crescem 73%

Segundo dados apresentados por Ariel Coelho, vice-presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o Brasil exportou 3,374 milhões de toneladas na safra 2025/2026, crescimento de 73% em relação à temporada 2019/2020.

A receita alcançou US$ 5,295 bilhões, alta de 72% na mesma comparação. Para a safra 2026/2027, a Anea projeta embarques de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas.

Na temporada 2025/2026, a China foi o principal destino do algodão brasileiro, com 23% das exportações. Bangladesh respondeu por 17%, a Turquia por 13%, enquanto Paquistão e Vietnã receberam 12% cada.

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Brasil amplia fornecimento durante todo o ano

Uma das mudanças destacadas no encontro foi a capacidade brasileira de manter volumes expressivos de exportação ao longo dos 12 meses. Historicamente, os embarques se concentravam entre outubro e dezembro, levando compradores a buscar fornecedores de outras origens durante a entressafra.

Na safra 2025/2026, o país embarcou, em média, 279 mil toneladas por mês, com pico de 452 mil toneladas em dezembro. Entre setembro e julho, os volumes mensais superaram 150 mil toneladas.

A logística também tem papel importante nesse desempenho. O transporte rodoviário responde por aproximadamente 83% do deslocamento da fibra até os portos, principalmente Santos. Salvador atende parte importante da produção baiana.

Produtividade e qualidade fortalecem a competitividade

Dados apresentados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) mostram que a safra 2025/2026 alcançou 4,144 milhões de toneladas de pluma, volume 2,5% inferior ao do ciclo anterior.

Apesar da redução da produção, a produtividade média atingiu 2.076 quilos de pluma por hectare, crescimento de 6%. A área plantada ficou próxima de 2 milhões de hectares, 8% menor que na safra 2024/2025.

Na avaliação de qualidade do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), resultados preliminares referentes a 10,2 milhões de fardos indicaram que mais de 90% dos fardos analisados estavam na faixa premium em quatro dos seis indicadores avaliados.

Para a safra 2026/2027, a Abrapa trabalha com uma estimativa de área entre 2 milhões e 2,2 milhões de hectares e produção de 3,8 milhões a 4,4 milhões de toneladas de pluma.

As projeções dependem de fatores como clima e custos de produção. A possibilidade de irregularidade das chuvas associada ao El Niño e a elevação dos preços dos insumos estão entre os pontos de atenção do setor.

Algodão brasileiro busca ampliar espaço na indústria têxtil

O encontro em Istambul também abordou a participação do algodão natural diante do crescimento do uso de fibras sintéticas. Segundo os dados apresentados por Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, o consumo mundial de fibras passou de 69 milhões para 124 milhões de toneladas nas últimas duas décadas, enquanto o consumo de algodão permaneceu próximo de 26 milhões de toneladas.

Com isso, a participação da fibra natural no mercado global caiu de 37%, em 2006, para 21%, em 2026.

A estratégia brasileira busca ampliar a competitividade da fibra por meio da regularidade de fornecimento, valorização da qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade. Entre as iniciativas citadas estão o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e os sistemas de classificação instrumental da fibra.

Essas ações buscam oferecer informações sobre origem, qualidade e práticas de produção, atendendo às demandas da indústria e das marcas por maior transparência na cadeia produtiva.

Perspectivas para o mercado mundial

A expansão da cotonicultura brasileira tem impacto na oferta global e nas oportunidades comerciais para produtores e exportadores. O país combina escala de produção, ganhos de produtividade e capacidade de abastecimento, fatores importantes para atender à demanda internacional.

O desafio para os próximos ciclos será manter a competitividade diante das variações climáticas, dos custos de produção e das mudanças no consumo mundial de fibras.