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VÍDEO | Jataí realiza primeira semana de humanização do luto parental

Entrevista com Jordana Franco, psicóloga e coordenadora do CRAS Vila Sofia, sobre a primeira Semana de Humanização do Luto Parental em Jataí e as ações de conscientização sobre perdas gestacionais, neonatais e infantis.

Jataí realizou, em outubro, a primeira Semana de Humanização do Luto Parental, iniciativa voltada à conscientização sobre as perdas gestacionais, neonatais e infantis e à importância do acolhimento às famílias que enfrentam esse tipo de luto. Em entrevista ao PN7 em Pauta, a psicóloga Jordana Franco, pós-graduada em psicologia parental e obstetrícia e coordenadora do CRAS Vila Sofia, destacou a necessidade de dar visibilidade a uma dor que, segundo ela, ainda é pouco reconhecida pela sociedade.

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Para Jordana, falar sobre o assunto é fundamental para que mães e pais encontrem espaço para expressar os sentimentos e recebam apoio sem julgamentos. Ela explica que, muitas vezes, na tentativa de consolar, amigos e familiares utilizam frases que acabam diminuindo a experiência de quem perdeu um filho.

Quanto mais a gente fala, mais a gente dá abertura para que esses pais falem do que eles estão sentindo, falem da realidade que eles estão passando.

Frases de consolo podem aumentar o sofrimento

Durante a entrevista, Jordana chamou atenção para expressões como “você pode tentar novamente” ou “pelo menos foi no começo da gestação”. Embora sejam ditas com a intenção de confortar, essas frases podem fazer com que os pais questionem a própria dor e tenham dificuldade para falar sobre o que estão vivendo.

Segundo a psicóloga, o silenciamento e o isolamento podem prejudicar o processo de elaboração do luto. Por isso, quando não se sabe o que dizer, ouvir e oferecer presença pode ser uma forma mais adequada de acolhimento.

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Às vezes, quando a gente não sabe muito o que falar, é melhor o silêncio, é melhor acolher, porque o luto não é só sobre falar. É muito sobre escutar também.

A profissional orienta que familiares e amigos ofereçam espaço para que os pais expressem seus sentimentos, sem impor prazos para superar a perda ou sugerir que uma nova gestação substituiria o filho que morreu.

O vínculo começa antes do nascimento

Outro ponto destacado por Jordana é que o vínculo afetivo com o filho pode começar ainda no planejamento da gravidez. A expectativa, os sonhos e os planos construídos pelos pais fazem parte dessa relação, mesmo quando a gestação não chega ao fim ou o bebê morre pouco tempo depois do nascimento.

A psicóloga reforçou que o tempo de vida não determina a intensidade do amor nem da dor sentida pela família.

O tempo de vida do bebê não significa o tempo de amor do bebê.

A perda pode provocar frustração, angústia, insegurança e medo de uma nova gestação. Jordana também ressaltou que o luto parental não envolve apenas as mães. Os pais precisam ter espaço para falar sobre o que sentem, sem serem colocados exclusivamente no papel de apoiar a companheira.

Segundo ela, é comum que o sofrimento paterno receba menos atenção, porque muitos homens são orientados a demonstrar força e a cuidar da família, sem que sejam questionados sobre a própria dor.

Quando buscar apoio profissional

A psicóloga explicou que cada pessoa vivencia o luto de maneira individual. Não existe uma única reação que todos os pais precisem apresentar diante da perda. No entanto, situações persistentes de isolamento, dificuldade de expressar sentimentos e sofrimento intenso merecem atenção e podem indicar a necessidade de acompanhamento profissional.

Jordana também destacou que o luto gestacional pode ser especialmente difícil de compreender para quem está de fora, pois nem sempre existem fotografias, vídeos ou outras lembranças materiais. Nesse contexto, os sonhos e as expectativas construídos durante a gravidez têm grande significado para a família.

O acolhimento, segundo ela, passa pelo reconhecimento dessa experiência, sem comparações ou julgamentos sobre o momento da perda.

Semana de Humanização do Luto Parental em Jataí

A iniciativa foi idealizada por Jordana a partir do contato com projetos de humanização do luto parental desenvolvidos em Goiânia, durante sua formação acadêmica. O interesse pelo tema cresceu ao longo de sua trajetória na área da psicologia e levou à articulação de parcerias para trazer a proposta ao município.

A programação começou em 13 de outubro de 2026, com palestras e rodas de conversa no auditório do Instituto Federal de Goiás (IFG). De acordo com Jordana, os encontros abordaram o reconhecimento do filho após a morte, o luto paterno, a importância do acolhimento e os desafios enfrentados por profissionais de saúde ao comunicar uma perda.

A coordenadora avaliou positivamente a participação do público e ressaltou que a conscientização também precisa alcançar os profissionais responsáveis pelo atendimento às famílias.

A programação previa continuidade em 14 de outubro, com um encontro às 18h na praça da Igreja Catedral. A proposta era reunir famílias e profissionais para um momento de acolhimento, além de entregar mudas de plantas às famílias que passaram por perdas, como símbolo de memória e significado.

Segundo Jordana, a iniciativa contou com apoio do poder público, de instituições de ensino e de profissionais de diferentes áreas. Ela também informou que a Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania pretende incluir a atividade anualmente no calendário municipal.

A importância de transformar informação em acolhimento

Para Jordana Franco, a realização da primeira semana representa um passo para ampliar o debate sobre o luto parental em Jataí. A expectativa é que a iniciativa ajude a reduzir o preconceito, qualifique o atendimento e incentive novas ações de apoio às famílias.

A psicóloga defende que reconhecer a perda é essencial para que mães e pais não precisem enfrentar o sofrimento em silêncio. Mais do que encontrar palavras para consolar, é necessário oferecer escuta, respeito e espaço para que cada família viva o luto à sua maneira.