Brasil amplia oferta de ingredientes para rações e diversifica alimentação animal

A cadeia de alimentação animal no Brasil passa por um processo de diversificação impulsionado pelo crescimento dos biocombustíveis, pelo aumento da produtividade agrícola e pela expansão do processamento de grãos. O movimento amplia a quantidade de matérias-primas disponíveis para a fabricação de rações e cria novas possibilidades para a formulação da alimentação destinada aos animais.
Entre os produtos que ganham relevância estão os grãos secos de destilaria, conhecidos como DDG. O crescimento da produção de etanol de milho aumenta a geração desse coproduto, que pode ser utilizado na composição de dietas para animais.
Outro fator importante é a expansão do processamento da soja. O maior esmagamento do grão, associado à demanda da indústria de biodiesel e de outros combustíveis renováveis, tende a aumentar a disponibilidade de farelo de soja, ingrediente tradicionalmente utilizado na alimentação animal.
O sorgo também aparece como uma alternativa que vem conquistando espaço. A cultura pode ser utilizada em regiões ou períodos em que o cultivo do milho de segunda safra apresenta menor viabilidade, contribuindo para ampliar as opções disponíveis aos produtores e às indústrias de ração.
Essa diversificação ocorre em um setor no qual os custos com alimentação têm forte impacto sobre a atividade pecuária. Para confinamentos de bovinos, além da suinocultura e da avicultura, a possibilidade de trabalhar com diferentes ingredientes pode proporcionar maior flexibilidade na elaboração das dietas e reduzir a dependência de determinadas matérias-primas.
A transformação também aproxima diferentes segmentos do agronegócio. O processamento de grãos gera coprodutos que retornam à cadeia produtiva como ingredientes para alimentação animal, criando uma conexão mais estreita entre agricultura, indústria de biocombustíveis, fabricação de rações e produção de proteína.
Além do aumento da oferta, o setor precisa manter critérios de segurança e regulamentação. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) mantém listas de matérias-primas aprovadas para uso em alimentação animal e estabelece regras para fabricação, comercialização e utilização desses produtos.
A legislação brasileira também estabelece procedimentos específicos para aditivos e outros produtos destinados à alimentação animal, com exigências relacionadas à fabricação, registro, comercialização e uso.
Com a expansão do processamento agrícola e dos biocombustíveis, a tendência é de uma integração cada vez maior entre as cadeias de produção. Para o agronegócio brasileiro, o aproveitamento de diferentes matérias-primas e coprodutos representa uma forma de ampliar as alternativas de alimentação e fortalecer a conexão entre produção de grãos e proteína animal.








