SUS incorpora cirurgia que trata catarata e glaucoma em um único procedimento

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma nova opção cirúrgica capaz de tratar catarata e glaucoma durante a mesma intervenção. A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União em 17 de setembro de 2026.
A medida amplia as alternativas disponíveis na rede pública para pacientes com catarata associada ao glaucoma primário de ângulo aberto, especialmente nos casos leves ou moderados.
A nova abordagem permite realizar, em uma única cirurgia, a retirada do cristalino comprometido pela catarata e uma intervenção destinada a melhorar a drenagem do líquido dentro do olho. O procedimento busca auxiliar no controle da pressão intraocular e reduzir a progressão dos danos provocados pelo glaucoma.
Como funciona
A cirurgia de catarata consiste na remoção do cristalino que perdeu sua transparência, com posterior substituição por uma lente intraocular. No mesmo procedimento, pode ser realizada uma intervenção no sistema de drenagem ocular para auxiliar no controle da pressão.
Entre as técnicas incorporadas estão a goniotomia excisional, feita por uma pequena incisão na córnea, e a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter ou fio cirúrgico para alcançar o canal natural de drenagem ocular.
Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia é considerada menos invasiva que algumas alternativas cirúrgicas e pode proporcionar recuperação mais rápida e menor risco de complicações. A escolha depende das características de cada paciente.
Quem poderá ser beneficiado
A incorporação é voltada principalmente para pessoas com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto em estágio leve ou moderado. Esse tipo de glaucoma costuma evoluir lentamente e pode não apresentar sintomas perceptíveis no início.
O glaucoma provoca danos progressivos ao nervo óptico e pode comprometer o campo de visão. Dados da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) indicam que o glaucoma primário de ângulo aberto representa cerca de 60% dos diagnósticos da doença no país.
Já a catarata ocorre quando o cristalino, lente natural do olho, perde sua transparência. A alteração pode provocar redução da capacidade visual e é mais frequente com o avanço da idade.
Mudança também pode reduzir custos
Além de ampliar as opções de tratamento, a incorporação também foi avaliada considerando os custos para o sistema público.
Segundo o Ministério da Saúde, a goniotomia excisional pode representar redução de aproximadamente R$ 18 mil por ano de vida saudável ganho, em comparação ao implante de drenagem conhecido como iStent. A estimativa aponta economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e de R$ 93,2 milhões no quinto ano, caso a substituição prevista seja efetivada.
A nova abordagem será incluída no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do glaucoma. A disponibilização na rede pública ocorrerá conforme a implantação da medida pelo sistema de saúde.








