VÍDEO | Por que a Geração Z e millennials evitam ligações telefônicas?

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Por que a Geração Z e os millennials evitam atender ligações?

Pesquisa mostra que jovens preferem mensagens de texto e áudios e ajuda a explicar como a tecnologia mudou os hábitos de comunicação

Tem uma cena que muita gente já viveu: o celular toca, a pessoa olha para a tela, vê um número que não conhece e simplesmente deixa tocar. Às vezes, nem é preciso olhar. O telefone pode estar ali do lado e a decisão já está tomada: não vou atender.

Mas por que isso acontece? Será que a Geração Z e os millennials realmente ficaram com medo de telefone? Ou será que, para essas gerações, uma ligação simplesmente deixou de ser a maneira mais natural de conversar?

Uma pesquisa citada pela BBC News ajuda a entender esse comportamento. Entre pessoas de 18 a 34 anos, 25% disseram que nunca atendem o telefone. Aproximadamente 70% afirmaram preferir mensagens de texto às chamadas telefônicas. O levantamento foi realizado pelo site Uswitch e ouviu 2 mil pessoas.

E quando a gente pensa nisso, talvez a diferença entre gerações fique ainda mais clara.

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Para quem cresceu com telefone fixo, atender uma chamada fazia parte da rotina. O telefone ficava em um lugar da casa e, quando tocava, alguém precisava levantar e atender.

E tinha um detalhe curioso: muitas vezes, a conversa acontecia praticamente na frente de todo mundo. A privacidade era outra história.

Já para muita gente que cresceu com o celular, a relação foi diferente. A comunicação por mensagens apareceu cedo e acabou se tornando uma espécie de linguagem cotidiana.

A própria autora da reportagem conta que, na adolescência, usava mensagens de texto e chegou a economizar caracteres para não ultrapassar o limite de 160 caracteres por mensagem. Parece estranho hoje, mas naquela época cada caractere podia fazer diferença na conta.

Quando ligar também significava gastar

Havia ainda outro motivo importante: o preço das ligações.

Segundo o relato da reportagem, em 2009 as chamadas pelo celular podiam custar caro. Para muitos jovens, telefone acabou ficando quase associado a situações de emergência. Para conversar com os amigos, era muito mais simples mandar uma mensagem.

A tecnologia mudou, os aplicativos chegaram, os planos ficaram diferentes, mas o hábito permaneceu.

É como se uma geração inteira tivesse aprendido que conversar não precisa acontecer imediatamente. Você manda a mensagem, a outra pessoa responde quando puder e a conversa continua.

E isso muda completamente a relação com o telefone.

Uma ligação exige atenção naquele instante. A mensagem não.

A pessoa pode estar trabalhando, estudando, comendo ou simplesmente sem vontade de conversar e responder depois.

Por que uma ligação inesperada pode causar desconforto?

Existe ainda outro fator nessa história: o significado que uma ligação inesperada ganhou.

Mais da metade dos jovens entrevistados na pesquisa disseram acreditar que uma chamada inesperada pode significar uma notícia ruim. Isso ajuda a explicar por que, quando aparece um número desconhecido na tela, muita gente prefere esperar.

A lógica é quase automática: se fosse algo realmente importante, talvez deixassem uma mensagem. Se não deixarem, depois eu vejo quem é.

Também existe um motivo bastante prático. Ligações de números desconhecidos podem ser telemarketing ou tentativas de golpe. Para algumas pessoas, ignorar primeiro e descobrir depois parece mais seguro e conveniente.

A psicóloga Elena Touroni, citada na reportagem, explica que, como muitos jovens não desenvolveram o hábito de falar ao telefone, a ligação pode simplesmente parecer estranha. Não é uma rotina que eles aprenderam a considerar normal.

Eles não deixaram de conversar

Só que dizer que os jovens não gostam de falar não seria correto.

Eles falam. E muito.

A diferença está no formato.

Os grupos de conversa ficam ativos durante o dia inteiro, com mensagens, memes, fotos, comentários e, cada vez mais, mensagens de voz.

As redes sociais também transformaram a maneira de conversar, misturando texto, imagem e áudio no mesmo espaço.

E aí aparece uma curiosidade: se a ligação telefônica é tão rejeitada, por que a mensagem de voz ganhou espaço?

Porque ela consegue juntar duas coisas. A pessoa ouve a voz do outro, mas não precisa responder naquele momento.

Na pesquisa do Uswitch, 37% das pessoas entre 18 e 34 anos disseram preferir mensagens de voz. Entre os participantes de 35 a 54 anos, esse percentual foi de apenas 1%.

É praticamente uma negociação entre as duas formas de comunicação: eu quero ouvir sua voz, mas não necessariamente quero falar com você agora.

Uma mudança nos hábitos de comunicação

No fim das contas, talvez a questão não seja que a Geração Z e os millennials odeiem o telefone.

Talvez eles simplesmente tenham aprendido a se comunicar de outra maneira.

A ligação exige uma resposta imediata. A mensagem permite pensar, escolher o momento e até escrever e apagar antes de enviar. O áudio permite ouvir a voz de alguém sem transformar aquilo em uma conversa em tempo real.

Isso mostra como a tecnologia não muda apenas os aparelhos que usamos. Ela também muda nossos hábitos, nossas expectativas e até aquilo que consideramos confortável.

Então, da próxima vez que o telefone tocar e alguém simplesmente olhar para a tela e deixar chamar, talvez não seja falta de educação.

Pode ser apenas uma mudança de geração.

Afinal, para algumas pessoas, quando o telefone toca, a pergunta é: “Quem está ligando?”

Para outras, talvez seja simplesmente:

“Não pode mandar mensagem?”

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Letícia Santana Alves

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