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Aluna da UFJ é vítima de racismo e intolerância religiosa em sala de aula

Foto: Vânia Santana
As provocações vieram por parte do professor e coordenador do curso

Nas últimas semanas, uma aluna da Universidade Federal de Jataí foi vítima de racismo e intolerância religiosa dentro de sala de aula, por parte do professor, que também é coordenador do curso.

O caso veio a público através de grupos estudantis presentes na faculdade, os quais elaboraram uma nota de repúdio que ganhou repercussão por meio das redes sociais. A aluna cedeu entrevista ao Portal Panorama, mas não será identificada, afim de preservar sua segurança e privacidade.

Ela conta que estava vestindo roupas e acessórios específicos de sua religião, o candomblé, uma vez que estava em período de iniciação, quando foi assistir a aula:

Então, eu estava no período, que são três meses, de preceito. Estava com o meu vestido […] Eu já estava indo com roupas tentando ser mais discreta, pra não chamar tanta atenção, por conta que eu já estava de torso. O torso é um pano que a gente põe na cabeça, como se fosse um turbante.

E eu também usava outros acessórios. Assim, eu estava vestida para a aula dele, esse é o traje que nós, como mulher, quando iniciamos, temos a obrigação de seguir durante esses três meses.”

As provocações começaram quando a aluna sentou no fundo da sala para assistir à primeira aula:

“Começou quando eu sentei no fundo da sala, com outros alunos ao lado, ele olhou pra gente e gritou assim: ‘passem pra frente agora porque não sou obrigado a gritar com vocês’. Aí eu sentei mais a frente, como ele pediu. Ele estava em pé com um papel na mão. Aí ele perguntou: ‘Escuta, é a primeira vez que você está assistindo a minha aula?’, eu falei que sim. Aí ele disse: ‘Eu não sabia que ia ter alguma apresentação aqui pra você estar vestida com essa roupa, que apresentação você fará para nós hoje?’.

Foi quando eu fui tentar explicar para ele o motivo da roupa. Aí ele disse: ‘ Mas você sabe que sua roupa é inadequada para minha aula né, mesmo se você vier nas minhas aulas práticas, você vai ficar com falta’. Sendo que, […] em nenhum momento ele especificou o tipo ideal de roupa pra ir a aula dele. E ele ainda estava dando aula teórica, só ia começar a ministrar aula prática após três semanas, quando o meu preceito já teria acabado. Eu o avisei, e mesmo assim ele disse que era inadequado para o tipo de aula que ele daria”.

Ela destaca que ele já a tinha visto com a roupa antes da aula, quando ela foi apresentada na coordenação como ingressante no curso.

“Então, com aquela roupa ele já tinha me visto, não foi uma surpresa imediata. Na hora que aconteceu, eu não esperava e quando eu me toquei do que estava acontecendo, porque alguns começaram a olhar e rir e ele começou a rir de uma forma irônica, eu comecei a chorar. […] A minha reação quando aconteceu tudo foi sair da sala chorando. Porque um dos preceitos que a gente passa nesses três meses é que a gente não pode discutir, e se alterar. Então quando ele falou eu não debati, não reagi, eu tentei explicar o que era o candomblé e porque eu estava com aquela roupa.”

Muitos alunos saíram da sala em apoio, mas como estavam na primeira semana de aulas, ficaram com medo de tomar alguma posição. Porém, outros que concordaram com o professor, começaram a fazer piadas.

Após os dias passarem, dos que compactuaram com a situação, tive que escutar algumas piadas, dizendo que minha religião era do demônio e que o professor estava certo. Sofri constrangimentos no RU, de não conseguir frequentar lá”.

A aluna foi prejudicada em sua vida acadêmica e social dentro da instituição. “Há duas semanas não vou na faculdade, por medo, vergonha, por vários sentimentos misturados.” Quando o fato de tornou público, muitas pessoas começaram a abordá-la com questionamentos maldosos, legitimados pela forma invasiva que ela foi tratada em sala de aula.

Até o presente momento,  aluna fez uma denúncia na ouvidoria da Universidade, pelo site, com o apoio dos grupos estudantis. E também registrou um boletim de ocorrência.

A Gestão da UFJ se pronunciou por meio da seguinte nota:

“A Gestão da universidade teve acesso a informação pela publicação do fato nas redes sociais. A denúncia será investigada e os procedimentos a serem adotados seguirão o que estabelece o Estatuto e Regimento Geral da UFG. A universidade esclarece que tem adotado medidas para prevenir quaisquer formas de preconceito.
A Direção”

Larissa Pedriel
Foto Capa: Vânia Santana
Jornalismo Portal Panorama
panorama.not.br

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