Polícia Civil deflagra operação contra suspeita de desvio de R$ 1,5 milhão em contratos culturais

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), deflagrou nesta terça-feira (26) a Operação Cultura Em(Cena), com o objetivo de investigar uma suposta associação criminosa envolvendo particulares e agentes públicos.
A ação ocorreu em Goiânia e Aparecida de Goiânia, onde foram cumpridos três mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além de determinar a proibição de contratação com o poder público.
Segundo as investigações, o grupo é suspeito de atuar principalmente ao longo de 2024, durante a gestão municipal anterior, utilizando empresas de fachada para desviar recursos públicos. As contratações teriam sido realizadas sem processo licitatório, por meio da então Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia.
De acordo com a Polícia Civil, foram identificadas ao menos 41 operações financeiras, que somam R$ 1.500.576,32. Os pagamentos eram formalmente destinados à contratação de profissionais como artistas, produtores de palco e diretores para atuação em eventos de exposição de carros antigos organizados por um clube da capital.
Os investigadores apontam indícios de irregularidades nas transações, como pagamentos realizados no mesmo dia e com valores idênticos. As empresas envolvidas, conforme apurado, não possuíam histórico no mercado, estrutura operacional ou equipe compatível com os serviços contratados. Em alguns casos, os endereços informados como sede coincidiam com residências dos próprios investigados.
Outro ponto destacado é que os responsáveis pelas empresas e os profissionais supostamente contratados teriam ligação direta com o clube organizador dos eventos, incluindo diretores, familiares e pessoas próximas.
Ainda segundo a Polícia Civil, há indícios de que parte dos valores retornava aos envolvidos por meio de pagamentos diretos e indiretos, incluindo despesas pessoais. A suspeita é de que o esquema utilizava contratos e empresas como instrumentos para o desvio sistemático de recursos públicos.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e aprofundar a análise sobre o destino dos valores.
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