“A maior pena foi perder a filha no dia do aniversário”, diz delegado sobre caso Maria Fernanda

O delegado Ramon Queiroz afirmou que caberá ao Poder Judiciário decidir se os pais de Maria Fernanda Cândido da Rocha terão direito ao perdão judicial após a conclusão do inquérito que apura as circunstâncias do desaparecimento da criança em Doverlândia.
A menina foi encontrada sem vida na última quarta-feira (17), justamente no dia em que completaria 2 anos de idade, após quase três dias de buscas que mobilizaram forças de segurança e voluntários na zona rural do município.
Polícia aponta causas da morte de Maria Fernanda e pais serão indiciados por abandono de incapaz
Segundo o delegado, embora a Polícia Civil tenha decidido pelo indiciamento dos pais por abandono momentâneo de incapaz, a avaliação sobre eventual punição ou aplicação do perdão judicial será feita pela Justiça.
“A maior responsabilização já aconteceu”
Ao comentar o caso, Ramon Queiroz destacou o impacto da tragédia para a família.
“A maior responsabilização que eles poderiam ter, eles tiveram, que é a perda da única filha deles no dia do aniversário dela”, afirmou o delegado.
A declaração foi dada ao explicar que, apesar da responsabilização prevista pela legislação, caberá ao Judiciário analisar todas as circunstâncias do caso antes de qualquer decisão.
“Caberá ao Poder Judiciário avaliar se eles terão esse benefício do perdão”, acrescentou.
Polícia Civil concluiu investigação
De acordo com a investigação, Maria Fernanda permaneceu sozinha na residência por um período de tempo enquanto os pais se deslocaram até uma represa próxima à propriedade rural.
Para a Polícia Civil, a criança não possuía condições de permanecer sem supervisão naquele momento.
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, o inquérito será concluído e encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
Caso comoveu Goiás
Maria Fernanda desapareceu na manhã de segunda-feira (15), em uma propriedade rural localizada na região do Rio Paraíso, em Doverlândia.
Após quase três dias de buscas, a criança foi encontrada sem vida às margens de um rio próximo à propriedade da família.
A operação mobilizou Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Graer, Conselho Tutelar e dezenas de voluntários.
Laudo da Polícia Técnico-Científica apontou que a morte ocorreu em decorrência de hipotermia associada à desidratação, seguida de afogamento atípico.
O caso gerou forte comoção em Doverlândia, no sudoeste goiano, e repercutiu em todo o estado.
Agora, o procedimento será encaminhado à Justiça, que decidirá sobre eventual responsabilização criminal dos pais e a possibilidade de aplicação do perdão judicial previsto na legislação.
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