Ex-aluna da UEG integra lista das 50 mulheres mais influentes da tecnologia na Noruega
A trajetória acadêmica iniciada na Universidade Estadual de Goiás (UEG) levou a engenheira civil Carla Ferreira ao reconhecimento internacional no setor tecnológico. Atualmente na Noruega, ela integra a lista Norges 50 fremste tech-kvinner 2026, que destaca as 50 mulheres mais influentes da área no país.
A seleção é organizada pela Abelia, associação ligada à Confederação das Empresas da Noruega, em parceria com a ODA-nettverk, principal rede nórdica voltada à diversidade em tecnologia. Além disso, a iniciativa busca valorizar referências e incentivar, sobretudo mulheres, a seguirem carreiras em ciência e tecnologia.
Formação e início da carreira
Nascida em Tucuruí, no Pará, Carla cresceu em Anápolis, onde se formou em Engenharia Civil pela UEG em 2006. Logo após a graduação, ingressou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde concluiu mestrado na área de infraestrutura.
Nesse período, trabalhou com geossintéticos aplicados a rodovias. Dessa forma, contribuiu para o desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da durabilidade das estradas.
Em seguida, passou a atuar na Construtora Camargo Corrêa, participando de grandes projetos de infraestrutura. Segundo ela, a experiência teve também um significado pessoal.
“Essa experiência também teve um significado pessoal para mim: nasci em Tucuruí, onde meu pai trabalhou na construção da usina hidrelétrica. De certa forma, trabalhar em grandes projetos foi uma forma de continuar uma história familiar ligada ao desenvolvimento do setor de energia no Brasil”, afirma.
Além disso, atuou em obras como barragens, túneis e pontes, muitas ligadas a empreendimentos energéticos e de transporte. Na época, o setor de energia vivia uma fase de expansão, impulsionada pelo boom do petróleo e pelas descobertas do pré-sal.
Transição para tecnologia e pesquisa
Foi nesse contexto que surgiu o interesse por inovação e tecnologia aplicada à energia. Por isso, Carla decidiu iniciar um doutorado em Engenharia de Petróleo, marcando sua entrada na área de modelagem matemática e análise de dados.
No entanto, em 2014, a crise do petróleo alterou o cenário da indústria. Assim, ela optou por ampliar suas competências para áreas com aplicações mais amplas.
Durante o doutorado, realizou estágio de pesquisa na Universidade de Durham, na Inglaterra. Nesse período, aprofundou conhecimentos em ferramentas estatísticas que, atualmente, fazem parte do universo da inteligência artificial.
Posteriormente, atuou como pesquisadora no Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro), da Unicamp. Em seguida, retornou à Universidade de Durham para realizar um pós-doutorado, com foco em métodos estatísticos aplicados à simulação de reservatórios.
Durante esse período, enfrentou também desafios pessoais. “Durante esse período veio a pandemia de covid-19. Eu já estava na Inglaterra com meu filho pequeno, que tinha dois anos, e pouco depois meu esposo também se mudou para lá”, recorda.
Atuação na Noruega e destaque internacional
Ao final do pós-doutorado, surgiu a oportunidade de trabalhar na empresa DNV, na Noruega. Inicialmente, sua atuação estava ligada ao uso de métodos quantitativos na indústria de óleo e gás.
Entretanto, com o avanço tecnológico global, seu foco evoluiu. “A inteligência artificial começava a ser cada vez mais integrada a sistemas críticos”, explica.
Dessa maneira, passou a estudar o comportamento desses sistemas em ambientes reais, complexos e críticos. Nesses contextos, falhas podem gerar impactos significativos.
Atualmente, Carla lidera a equipe AI Risk and Assurance Science na DNV. O grupo desenvolve métodos para avaliar riscos e garantir a confiabilidade de sistemas de inteligência artificial aplicados a infraestruturas críticas, como energia e transporte.
“Esses são ambientes em que decisões automatizadas podem ter impactos reais para pessoas, economia e meio ambiente. Por isso, buscamos garantir que esses sistemas se comportem de forma segura no mundo real”, destaca.
Inspiração e impacto coletivo
Para Carla, o reconhecimento internacional representa mais do que uma conquista individual. Segundo ela, trata-se de uma oportunidade de inspirar novas gerações.
“Vejo esse reconhecimento como uma oportunidade de inspirar estudantes, especialmente mulheres, a se aproximarem das áreas de ciência, engenharia e tecnologia”, afirma.
Além disso, ela ressalta que sua trajetória foi construída ao longo de muitos anos e marcada por mudanças constantes. “Sempre tive vontade de conquistar o mundo por meio do conhecimento. Tenho orgulho de onde vim. Minha trajetória não foi linear nem fácil”, relata.
Por fim, a pesquisadora destaca o papel do trabalho coletivo. De acordo com ela, o reconhecimento reflete o esforço de uma equipe multidisciplinar formada por engenheiros, estatísticos e cientistas de dados.
“Esse reconhecimento não é apenas individual. Ele valoriza o trabalho coletivo que desenvolvemos e reforça a importância da colaboração na construção de soluções para desafios complexos”, conclui.
Foto: Reprodução
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