Déficit de armazenagem no agro gera prejuízo bilionário no Brasil

O agronegócio brasileiro segue registrando safras recordes, mas enfrenta um gargalo histórico que continua impactando diretamente a rentabilidade no campo: a falta de capacidade de armazenagem. Entre 2023 e 2025, o déficit no setor já provocou prejuízos estimados em R$ 88,3 bilhões, segundo levantamento baseado em dados da consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio e divulgado pela Kepler Weber.
A insuficiência de silos e armazéns, principalmente nas regiões produtoras, obriga muitos agricultores a venderem parte significativa da produção logo após a colheita. Esse período concentra grande oferta no mercado, o que pressiona os preços para baixo e reduz o poder de negociação dos produtores.
Na prática, a venda forçada durante o pico da safra compromete a rentabilidade dentro da porteira. Sem espaço para estocar soja e milho, os produtores precisam liberar áreas, cumprir contratos e quitar custos de produção, mesmo em um cenário de preços desfavoráveis.
O cenário brasileiro contrasta com o de grandes potências agrícolas, como Estados Unidos e Argentina, onde a infraestrutura de armazenagem permite ao produtor segurar a produção e comercializar em momentos mais estratégicos. Essa diferença impacta diretamente a competitividade do agro nacional no mercado global.
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As projeções do setor indicam que o problema tende a se agravar caso não haja investimentos robustos. Atualmente, o déficit de armazenagem pode ultrapassar 135 milhões de toneladas, evidenciando a dimensão do desafio logístico enfrentado pelo país.
Para reverter esse cenário, especialistas estimam que seriam necessários cerca de R$ 148 bilhões em investimentos na construção e ampliação de estruturas de armazenagem. O tema deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ser considerado estratégico para garantir margens, estabilidade de preços e sustentação do crescimento do agronegócio brasileiro.
No contexto regional, a limitação de armazenagem também afeta produtores do sudoeste goiano, uma das principais regiões produtoras do estado, onde a pressão por escoamento rápido da safra impacta diretamente os resultados no campo.
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