Tampinhas descartadas viram cadeiras de rodas e chegam a crianças na África pela UFG

O que poderia terminar no lixo está ganhando uma nova função e ajudando pessoas com deficiência. Em Goiânia, um laboratório da Universidade Federal de Goiás (UFG) transforma materiais descartados, como tampinhas plásticas, MDF e banners, em equipamentos de tecnologia assistiva.
O trabalho é desenvolvido pelo Laboratório de Estudos Inventivos em Tecnologias Assistivas (Lab.EITA), criado em 2024. Desde então, o projeto já entregou 280 produtos, desenvolvidos a partir de 52 projetos diferentes.
Entre os equipamentos produzidos estão cadeiras de rodas, próteses, órteses, parapódios, adaptadores para pessoas com dificuldades motoras, brinquedos sensoriais e capacetes cranianos.
A proposta combina inovação, reaproveitamento de materiais e inclusão, com foco na criação de soluções personalizadas para pessoas que precisam de equipamentos muitas vezes caros ou difíceis de encontrar.
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Cadeiras de rodas chegaram à África
O projeto goiano ultrapassou as fronteiras do Brasil. Após um contato iniciado durante um congresso científico em São Paulo, a equipe recebeu uma demanda para produzir equipamentos destinados a crianças africanas.
Quatro cadeiras de rodas personalizadas foram desenvolvidas e enviadas para a África. Em vez de receberem apenas um equipamento funcional, as crianças ganharam modelos adaptados ao universo infantil.
As cadeiras foram personalizadas com desenhos de animais, como girafa, leão, tigre e elefante, tornando os equipamentos mais lúdicos e próximos da realidade das crianças atendidas.
A iniciativa mostra como a tecnologia assistiva pode ser desenvolvida de maneira mais acessível e adaptada às necessidades individuais de cada usuário.
Projeto já produziu 34 cadeiras de rodas
Entre os 280 produtos entregues pelo Lab.EITA estão 34 cadeiras de rodas. O laboratório também já produziu equipamentos destinados a diferentes estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia.
Além da fabricação de novos equipamentos, o laboratório também recebe cadeiras comerciais para manutenção e posterior redistribuição para outras pessoas que precisam dos dispositivos.
A atuação do projeto é baseada em pesquisa, ensino e extensão, aproximando a universidade de demandas concretas da sociedade.
Tecnologia com foco na autonomia
O trabalho desenvolvido pelo Lab.EITA não se limita às cadeiras de rodas. A equipe também desenvolve soluções para diferentes necessidades de mobilidade e autonomia.
Entre os produtos estão próteses de mão, nariz e orelha, órteses, adaptadores e estruturas que auxiliam crianças com limitações motoras a permanecerem em pé.
Outro destaque é a produção de capacetes cranianos utilizados no tratamento de assimetrias em bebês. Segundo a UFG, a tecnologia busca oferecer uma alternativa de menor custo e permite ajustes conforme o crescimento da criança.
Reciclagem ganha novo significado
Além do impacto social, o projeto também dá um novo destino a materiais que seriam descartados.
Tampinhas plásticas, MDF e banners passam a integrar processos de desenvolvimento de equipamentos, enquanto a impressão 3D amplia as possibilidades de criação de peças personalizadas.
Para a UFG, a iniciativa mostra que inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas, transformando materiais simples em ferramentas capazes de ampliar a autonomia e a qualidade de vida de pessoas com deficiência.
A experiência desenvolvida em Goiânia também evidencia o potencial da universidade pública na criação de soluções que ultrapassam os muros do campus e chegam a diferentes comunidades, inclusive fora do país.
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