Justiça de Goiás condena 17 réus por golpes digitais e impõe 106 anos de prisão ao líder do grupo
A Justiça de Goiás condenou 17 pessoas envolvidas em uma organização criminosa especializada em golpes digitais que atuava em todo o país. O líder do grupo, Wanderson Barbosa da Silva, recebeu pena superior a 106 anos de prisão. Além disso, todos os condenados deverão pagar, de forma solidária, R$ 5 milhões por danos morais coletivos.
A sentença foi proferida pela 2ª Vara das Organizações Criminosas e também determinou o confisco de carros, imóveis, joias e outros bens adquiridos com recursos provenientes das fraudes. As vítimas principais eram pessoas idosas e familiares de médicos e advogados, alvos preferenciais dos criminosos.
Segundo a investigação, o grupo funcionava como uma verdadeira “linha de produção” do crime, com tarefas bem definidas para cada integrante. Wanderson Barbosa da Silva comandava toda a dinâmica dos golpes, desde a escolha das vítimas até a distribuição do dinheiro.
Coordenação e controle do dinheiro
Quatro integrantes eram responsáveis pela logística financeira, repasse de valores e ocultação da origem do dinheiro:
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João Gabriel de Oliveira Siqueira – 47 anos e 4 meses
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Glauber Henrique Rustiguel do Nascimento – 45 anos e 5 meses
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Alexandre Pereira da Silva – 45 anos e 4 meses
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Fernando dos Santos Oliveira – 41 anos e 10 meses
Eles tinham acesso direto às contas bancárias utilizadas para receber as transferências das vítimas e ajudavam a dificultar o rastreamento dos valores.
Operadores dos golpes
Outros seis réus atuavam diretamente no contato com as vítimas, enviando mensagens, fazendo ligações e se passando por parentes, médicos, advogados ou conhecidos:
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Kelle Cristina Sousa Lima – 26 anos e 8 meses
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Felipe Pereira Machado – 22 anos e 4 meses
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Elias Júnior de Oliveira Clarindo – 20 anos e 11 meses
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Thalita Rodrigues de Jesus – 20 anos
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Michael Jacson Pereira da Silva – 20 anos
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Rodrigo de Jesus Ferreira – 18 anos e 11 meses
Nos celulares apreendidos, a polícia encontrou milhares de imagens de médicos, advogados e familiares, usadas para construir narrativas falsas e tornar os golpes mais convincentes.
Organização das vítimas e coleta de dados
Dois integrantes cuidavam da montagem de bancos de dados com nomes, fotos, telefones e parentes das pessoas que seriam enganadas:
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Lorrayne Gabriela de Souza – 12 anos e 2 meses
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Fernando Barbosa da Silva – 11 anos e 1 mês
Os aparelhos analisados revelaram grande volume de imagens e informações pessoais, utilizadas para criar abordagens personalizadas.
Contas bancárias e movimentação do dinheiro
Outros quatro condenados atuavam na abertura de contas, recebimento de transferências e repasse dos valores ao grupo:
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Jhonny Galdino Leda – 5 anos
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Tairany Neves do Nascimento – 4 anos e 10 meses
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Danielle Braga Carapina – 4 anos e 10 meses
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Pablo Felipe Alves dos Santos – 4 anos e 4 meses
Eles funcionavam como intermediários para dificultar a ligação direta entre o dinheiro e os líderes do esquema.
De acordo com o Ministério Público, apenas cinco integrantes movimentaram mais de R$ 14 milhões entre 2021 e 2024. Os criminosos utilizavam celulares com dezenas de chips diferentes para se passar por conhecidos das vítimas e solicitar transferências com falsas histórias de emergência.
Em um único aparelho apreendido, a polícia encontrou quase 78 mil contatos, o que evidencia a dimensão do esquema e o potencial número de vítimas.
Todos os valores, veículos, imóveis, joias e demais bens apreendidos serão destinados à reparação dos prejuízos após o trânsito em julgado do processo. O valor de R$ 5 milhões por danos morais coletivos também deverá ser pago de forma conjunta pelos condenados.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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