Violência psicológica supera agressões físicas em relatos de mulheres, alerta juíza em Jataí

Violência psicológica supera agressões físicas em relatos de mulheres, alerta juíza em Jataí
A juíza Sabrina Rampazzo de Oliveira destacou os desafios no enfrentamento à violência contra a mulher e a importância da rede de proteção em Jataí.

A violência psicológica tem se tornado a forma de agressão mais relatada por mulheres em situação de violência doméstica, superando os casos de violência física. O alerta foi feito pela juíza Sabrina Rampazzo de Oliveira, titular do Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar da comarca de Jataí, durante entrevista ao PN7 em Pauta.

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A magistrada destacou que a violência psicológica muitas vezes funciona como porta de entrada para outras formas de agressão.

“Quando essa mulher está com a autoestima reduzida, quando ela está sendo minada no seu amor próprio, as outras violências vêm com muito mais facilidade. Aí vem a física, a moral, a patrimonial e a sexual”, explicou.

A entrevista integra as ações do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Em 2026, a mobilização ocorre em um momento simbólico: a Lei Maria da Penha completa 20 anos, enquanto o Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar de Jataí completa uma década de atuação.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

Para Sabrina Rampazzo, a Lei Maria da Penha representa um marco na proteção das mulheres, mas ainda existem direitos e garantias que precisam ser efetivamente colocados em prática.

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A juíza destacou a importância das medidas protetivas de urgência e do modelo de atuação voltado à proteção da vítima.

“Uma lei só vai permanecer viva quando as instituições, quando a rede de proteção e os instrumentos forem realmente eficazes”, afirmou.

Segundo a magistrada, o trabalho desenvolvido por um juizado especializado vai além da decisão judicial. A atuação envolve proteção, prevenção, reparação e articulação com diferentes setores da sociedade.

“Não se trata apenas de dar uma sentença e encerrar um processo. Se trata de proteção, de resguardo, de reparação e de prevenção”, ressaltou.

Rede integrada é apontada como diferencial de Jataí

Durante a entrevista, Sabrina Rampazzo destacou que um dos principais diferenciais de Jataí está na integração entre instituições que atuam na rede de proteção às mulheres.

Segundo ela, o trabalho envolve o Juizado, as áreas da saúde e educação, Secretaria da Mulher, Centro de Referência da Mulher, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, CREAS, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, equipe multidisciplinar e outras instituições e parceiros.

“A rede funciona aqui de forma integrada, de mãos dadas. E isso faz a diferença”, afirmou.

A juíza também ressaltou a existência de uma equipe multidisciplinar no Juizado, com psicólogo, assistente social e profissionais da área jurídica atuando no atendimento dos casos, além do desenvolvimento de grupos reflexivos para homens e do atendimento a crianças atingidas pela violência doméstica.

Violência doméstica continua sendo desafio

Apesar da estrutura de proteção existente no município, Sabrina Rampazzo alertou que a violência contra a mulher continua sendo um problema que exige atenção.

Segundo a magistrada, os casos de violência doméstica têm apresentado crescimento ao longo dos anos, e a violência psicológica passou a ocupar posição de destaque nos relatos apresentados pelas vítimas.

Ela também chamou atenção para as novas formas de violência relacionadas ao ambiente digital, como perseguição pelas redes sociais, controle de celulares e contas, acesso indevido a e-mails e tentativas de monitoramento da vida das mulheres.

“O mundo digital trouxe muitas coisas importantes, mas também trouxe muitos perigos e prejuízos”, afirmou.

Programação do Agosto Lilás

Como parte das ações do Agosto Lilás, Jataí recebe nos dias 20 e 21 de agosto atividades voltadas à integração da rede de proteção e à conscientização da população.

No dia 20, a Câmara Municipal recebe, no período da manhã, o 1º Fórum de Integração da Rede de Proteção e Enfrentamento da Violência contra a Mulher, reunindo instituições que atuam no atendimento e na proteção das vítimas.

Também está prevista uma capacitação para integrantes da rede. A programação inclui ainda a iluminação lilás da Câmara Municipal.

No dia 21, serão realizadas palestras sobre feminicídio e violência contra a mulher no ambiente digital. Entre os temas abordados está “Do ódio digital à violência real”.

A programação é aberta à participação da comunidade, segundo o convite feito pela juíza durante a entrevista ao PN7 em Pauta.

“A responsabilidade é de quem comete a violência”

Ao deixar uma mensagem direcionada aos agressores, Sabrina Rampazzo reforçou que a violência doméstica pode trazer consequências jurídicas, familiares e sociais.

A magistrada citou medidas como restrições impostas por decisões judiciais, afastamento do lar, afastamento do convívio familiar e outras consequências decorrentes da responsabilização pelos atos praticados.

“Não compensa a violência doméstica. A responsabilidade pela violência é de quem comete, é de quem pratica. Nunca vai ser de quem sofre”, afirmou.

 

https://www.youtube.com/watch?v=z7vBnMlqluw

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Isabelle Sousa de Assis

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