Brasil reduz em quase 90% o número de crianças sem vacinação e deixa lista dos países mais críticos

O Brasil alcançou um avanço expressivo na vacinação infantil e deixou de integrar a lista dos 20 países com o maior número de crianças que nunca haviam recebido a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). Os dados constam no mais recente relatório divulgado nesta terça-feira (14) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
De acordo com o levantamento, o número de chamadas crianças zero-dose — aquelas que não receberam a primeira dose da vacina com componente DTP, representada no Brasil pela vacina pentavalente — caiu de 360 mil em 2023 para cerca de 50 mil em 2025. A redução acumulada é de aproximadamente 90%.
Além da queda no número de crianças sem vacinação, o relatório mostra que o país vem ampliando gradativamente a cobertura vacinal infantil. Entre os fatores apontados para esse resultado estão o fortalecimento das campanhas de imunização, a busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos, a ampliação da vacinação nas escolas, a melhoria dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o monitoramento das coberturas em estados e municípios.
Segundo a OMS e o Unicef, o Brasil está entre os 17 países que mais ampliaram a cobertura da primeira dose da vacina contendo DTP desde 2019 e registrou o segundo maior crescimento mundial no período, com aumento de 19 pontos percentuais, ficando atrás apenas da Líbia.
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Cenário mundial
Embora o Brasil tenha apresentado evolução significativa, o cenário global ainda inspira atenção. O relatório estima que cerca de 13,5 milhões de crianças em todo o mundo permaneceram sem receber sequer a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche em 2025.
Outras 7,3 milhões iniciaram o esquema vacinal, mas não concluíram todas as doses recomendadas, situação que aumenta o risco de circulação de doenças imunopreveníveis. Como consequência, 57 países registraram surtos importantes de sarampo ao longo do último ano.
Entre os 195 países avaliados, apenas 30 conseguiram ampliar a cobertura vacinal em relação aos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
Destaque nas Américas
Na comparação com outros países das Américas, o Brasil também apresentou desempenho positivo. Enquanto algumas nações registraram queda na vacinação infantil, o país manteve a tendência de recuperação das coberturas.
Em números absolutos, México, Venezuela, Argentina e Bolívia concentram atualmente os maiores contingentes de crianças zero-dose na região. O Brasil reduziu esse número para aproximadamente 50 mil crianças, consolidando um dos principais avanços regionais na imunização infantil.
A OMS e o Unicef destacam que o fortalecimento dos programas nacionais de vacinação e dos sistemas de informação continua sendo essencial para prevenir surtos de doenças evitáveis e ampliar a proteção da população infantil.
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