Exportações de carne brasileira para a UE correm risco por novas exigências sobre antimicrobianos

A produção de carne brasileira enfrenta um novo desafio no mercado internacional. As exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos podem impedir que o Brasil continue exportando para o bloco europeu. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
Segundo ele, há grandes chances de o país não conseguir cumprir as novas regras dentro do prazo estabelecido. Caso isso ocorra, as exportações para a União Europeia serão interrompidas a partir de 3 de setembro.
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Perosa afirmou que o Ministério da Agricultura e Pecuária mantém diálogo com frigoríficos, pecuaristas e demais integrantes da cadeia produtiva. O objetivo é buscar uma alternativa para atender às exigências europeias.
“Eu acho que o Ministério da Agricultura está dialogando com todos os elos da cadeia, tanto com a indústria quanto com os pecuaristas, para se chegar a uma boa decisão que ainda não temos, mas a gente está acompanhando para que a gente chegue nessa boa decisão”, afirmou.
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Adequação exigiria cerca de dois anos e meio
De acordo com o presidente da Abiec, o principal obstáculo é o tempo necessário para adaptação da cadeia produtiva. Considerando o ciclo completo da pecuária bovina, seriam necessários aproximadamente 30 meses para atender às novas regras.
Os antimicrobianos são medicamentos utilizados para prevenir e tratar infecções em animais. Alguns deles também podem ser empregados como promotores de crescimento. Essa prática, porém, possui restrições rigorosas na legislação da União Europeia.
Brasil perde habilitação para exportar ao bloco europeu
No início de junho, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as normas sobre o controle do uso de antimicrobianos. Segundo o bloco, o país não apresentou as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências sanitárias.
Com a decisão, o Brasil ficará impedido de exportar carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, tripas, pescado e mel para os países da União Europeia a partir de 3 de setembro.
Na relação divulgada em 2024, o Brasil estava autorizado a comercializar todos esses produtos. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam habilitados a exportar normalmente para o mercado europeu.
Apesar de representar cerca de 5% do volume exportado pelo Brasil no ano passado, a União Europeia é considerada estratégica. O bloco compra cortes de maior valor agregado, o que aumenta a rentabilidade das exportações brasileiras.
China também amplia pressão sobre o setor
Além das dificuldades com a União Europeia, o setor enfrenta as restrições comerciais impostas pela China. Desde 1º de janeiro de 2026, o país asiático passou a aplicar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira.
A medida estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. Todo o volume exportado acima desse limite passa a pagar uma sobretaxa de 55%. As regras devem permanecer em vigor por três anos.
Segundo Roberto Perosa, os efeitos dessas medidas já começaram a aparecer. O setor enfrenta dificuldades para escoar a produção, que cresceu nos últimos anos. Em alguns frigoríficos, já há relatos de férias coletivas.
“Não temos a mesma demanda global de carne”, declarou.
Setor teme impactos na rentabilidade e nos preços
Perosa explicou que o mercado interno continua sendo o principal destino da carne produzida no Brasil. No entanto, as exportações são fundamentais para garantir equilíbrio financeiro às indústrias.
Segundo ele, a redução das vendas externas diminui a remuneração do setor. Atualmente, muitas empresas já operam com margens negativas.
“O principal mercado do Brasil é o interno, mas a exportação complementa e faz esse mix que faz com que a gente não precise fazer uma elevação aguda dos preços internos. Esse mix que trazia essa garantia de remuneração do mercado externo com a China, isso não existe. E estamos vendo muitas indústrias com dificuldade. Hoje a maioria das indústrias está trabalhando no vermelho”, afirmou.
Em relação ao consumidor, o presidente da Abiec acredita que os preços da carne devem permanecer estáveis no curto prazo. Entretanto, ele avalia que a pressão sobre os custos de produção e um eventual aquecimento da economia poderão provocar reajustes nos próximos meses.
“A tendência é que o preço da carne se mantenha estável, mas depois pode aumentar”, concluiu.







