Um ano após o assassinato da estudante Bianca Pazzinato

Notícias Polícia / Bombeiro

Um ano após o assassinato da estudante Bianca Pazzinato, de 18 anos, os pais da jovem mantêm o quarto da filha como ela deixou. Para a família, é uma forma de amenizar a saudade da garota, que foi morta a facadas por duas adolescentes. “As coisas dela estão organizadas como ela gostava. É como se a gente a visse lá dentro. A falta dela é irreparável, não tem quem substitui, levaram um pedaço da gente”, lamenta o pai da vítima, Hércules Pazzinato.

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Os pais de Bianca ainda possuem um casal de filhos. Eles contam que as crianças os ajudam a superar a ausência da estudante. “Eles ajudam a gente a se divertir, a passar o tempo. São dois filhos maravilhosos, mas nenhum substitui a ausência do outro”, disse o pai da universitária.

As adolescentes acusadas de matar a estudante, que na época do crime tinham 16 e 17 anos, continuam apreendidas em um centro de internação em Goiânia. O Juizado da Infância e Juventude acompanha a situação das jovens. O Tribunal de Justiça de Goiânia informou que elas passam por avaliação mensal, mas o conteúdo do relatório não pode ser divulgado.

A sentença do juiz Sérgio Brito Teixeira, proferida em 3 de setembro do ano passado, condenou as adolescentes a três anos de internação, período máximo permitido pela legislação para punir menores. No entanto, elas podem ser libertadas antes deste período se a avaliação psicológica concluir que estão aptas a voltar à sociedade.

Devido à decepção com a punição das acusadas, a família de Bianca enviou à Câmara dos Deputados, em janeiro deste ano, uma proposta de alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com o apoio da Ordem dos Advogados de Goiás (OAB-GO) e outras entidades. “Pedimos na proposição a mudança das leis do ECA para aumentar a pena de adolescente que cometer crime hediondo e que ele não saia com a ficha limpa depois de cumprir a pena, aos 18 anos”, explicou Hércules.

O Crime

Bianca foi morta a facadas por volta das 10h30 de 29 de julho de 2013. O corpo da jovem foi encontrado no mesmo dia na casa da menina mais velha, embrulhado em sacos plásticos debaixo de uma cama.

Após serem apreendidas, as duas suspeitas foram encaminhadas para a capital a pedido do Conselho Tutelar. O órgão temia que a integridade física das suspeitas não pudesse ser resguardada na cidade, já que havia uma forte comoção popular com o crime.

Elas só voltaram a Jataí no dia 5 de agosto para prestar depoimento à Justiça. O interrogatório durou menos de uma hora. A adolescente de 17 anos confessou o crime e disse que contou com a ajuda da colega. “Durante uma semana planejamos tudo, pesquisamos na internet como matar uma pessoa”, disse a menor durante a sessão.

A menina de 16 anos preferiu exercer o direito de se manter calada, recusando-se a responder às perguntas. Após a audiência, ambas retornaram a Goiânia.

Premeditado

A adolescente de 17 anos contou que a motivação do assassinato seria a recusa da vítima em manter um namoro. “Ela não ia ficar comigo. Não queria que ficasse com mais ninguém também”, declarou.  Entretanto, as famílias da menor de idade e de Bianca afirmam que não tinham conhecimento do relacionamento homoafetivo entre elas.

Tia da universitária, Júlia Pazzinato negou que Bianca tivesse qualquer relacionamento amoroso com a suspeita. “Ela não queria envolvimento com essa menina. Bianca era perseguida por ela”, ressaltou a parente da vítima.

A Polícia Civil encontrou anotações que reforçaram a suspeita de que o assassinato da estudante foi premeditado. No caderno, estavam listados os objetos que deveriam ser utilizados para matar Bianca, entre eles uma faca, luvas, e até uma barra de ferro.

Antes do crime, a garota de 17 anos tinha escrito uma carta para Bianca declarando seu amor por ela. Na declaração, escreveu: “Te amo muito, não por escolha, meu coração te escolheu sozinho, não me deu chance de defesa”.

Ela contou que Bianca tentou lutar antes de ser morta. “Ela se debateu e queria gritar. Ficou muito desesperada”, declarou.

Inf. G1 Goiás

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