Brasil pode perder mais de US$ 100 milhões com carne bovina premium na UE

O Brasil pode deixar de movimentar mais de US$ 100 milhões com a venda de carne bovina premium para a União Europeia após a suspensão das importações brasileiras pelo bloco. A medida afeta especialmente produtos de maior valor agregado, destinados a consumidores e estabelecimentos que pagam preços elevados pela proteína.
A restrição está relacionada às exigências europeias para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A decisão não foi motivada por contaminação da carne, mas pela avaliação de que o Brasil ainda não havia apresentado garantias consideradas suficientes para atender às normas sanitárias europeias.
O mercado europeu é estratégico por absorver produtos brasileiros com maior valor comercial. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia somaram US$ 762,3 milhões, com 87,1 mil toneladas embarcadas, crescimento de 26,4% sobre o mesmo período de 2025.
Além do impacto financeiro, a suspensão atinge um mercado importante para a carne brasileira no segmento de alta qualidade. Como os cortes premium possuem maior valor por tonelada, a interrupção desses embarques pode representar perdas relevantes mesmo sem afetar grandes volumes.
Estimativas do setor apontam que, entre setembro e dezembro, o Brasil poderá deixar de embarcar cerca de 70 mil toneladas de produtos cárneos bovinos para a União Europeia, com impacto estimado em aproximadamente US$ 700 milhões.
A restrição ocorre em um momento de forte movimentação do comércio internacional de carne bovina. O Brasil vem ampliando sua presença em diferentes mercados, o que permite redirecionar parte da produção para outros destinos, embora nem sempre nas mesmas condições comerciais obtidas na Europa.
A retomada das vendas dependerá da adequação brasileira às exigências sanitárias e da conclusão das negociações com o bloco. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que uma possível retomada poderá ocorrer apenas no primeiro semestre de 2027.
Enquanto isso, frigoríficos e empresas da cadeia produtiva precisam buscar alternativas para os volumes que deixaram de ter o mercado europeu como destino. A situação reforça a importância das exigências sanitárias e dos protocolos internacionais para o comércio de produtos de origem animal.
A recuperação do acesso europeu poderá representar a retomada de uma importante fonte de receita para os cortes bovinos de maior valor agregado.








