UE avalia reabrir mercado para pescados brasileiros após quase 10 anos de embargo

O setor pesqueiro brasileiro atravessa um momento decisivo neste mês de junho de 2026. Auditores da União Europeia estão no Brasil entre os dias 8 e 19 avaliando as condições da produção nacional e os sistemas de controle sanitário voltados à exportação.
A visita pode representar um passo importante para a retomada das exportações de pescados brasileiros ao bloco europeu, suspensas desde 2017. Caso haja um parecer favorável, produtos como lagosta, atum e tilápia poderão voltar a acessar um dos mercados mais exigentes do mundo.
Antes do embargo, cerca de 14% das exportações brasileiras de pescados tinham a Europa como destino. A suspensão ocorreu após questionamentos sobre falhas no controle sanitário e nas condições das embarcações. Na época, o próprio Brasil optou por interromper os envios antes da formalização do bloqueio, que foi confirmado em 2018.
Desde então, o setor redirecionou suas vendas principalmente para os Estados Unidos e países asiáticos. No entanto, o cenário internacional e mudanças nas políticas comerciais aumentaram a necessidade de diversificação de mercados.
No Nordeste, a pesca da lagosta segue como um dos principais desafios. A atividade enfrenta problemas históricos relacionados à pesca ilegal e à exploração predatória. Estudos apontam que a população da lagosta vermelha sofreu forte redução nas últimas décadas, exigindo medidas como defeso e cotas de captura.
Apesar das regras, especialistas apontam que ainda há fragilidade na fiscalização e na rastreabilidade da produção. Em 2025, uma operação do Ibama no Ceará resultou na maior apreensão de armadilhas ilegais já registrada, impedindo a captura de cerca de 300 toneladas de lagosta.
No caso do atum, o Brasil enfrenta desafios logísticos e concorrência direta com países europeus. O tempo de transporte até o continente pode impactar a qualidade do pescado, reduzindo sua competitividade no mercado internacional.
Outro fator de preocupação é o impacto das mudanças climáticas. O aumento da temperatura dos oceanos, intensificado por fenômenos como o El Niño, tem alterado o comportamento das espécies e reduzido a produtividade da pesca. Há relatos recentes de embarcações que retornaram com volume muito abaixo do esperado.
Enquanto isso, o setor de piscicultura, especialmente a produção de tilápia, vê na possível reabertura uma oportunidade estratégica. Representantes defendem que o embargo não deveria atingir a produção em cativeiro e acreditam em uma eventual liberação parcial.
A Comissão Europeia informou que não antecipa os resultados da auditoria. Ainda assim, o processo é acompanhado com expectativa por produtores, exportadores e investidores.
Para regiões do interior, como o sudoeste goiano, onde a piscicultura tem ganhado espaço, uma eventual reabertura do mercado europeu pode significar novos investimentos, geração de renda e fortalecimento da cadeia produtiva.
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