Revendedores de gás paralisam distribuição em Goiás e cobram negociação

A distribuição de gás de cozinha foi parcialmente interrompida em Goiás nesta segunda-feira (21), após revendedores iniciarem uma mobilização contra reajustes no preço do botijão e pelas condições de operação do programa Gás do Povo.
A paralisação ocorre no Centro de Destroca, em Goiânia, ponto utilizado pelos revendedores para substituir recipientes vazios por botijões cheios. Segundo o sindicato que representa a categoria, cerca de 50 caminhões estavam parados pela manhã, com expectativa de que esse número chegasse a 100 ao longo do dia.
Reajuste no preço do botijão
A principal reivindicação envolve o botijão de 13 quilos, conhecido como P13. De acordo com o sindicato, as distribuidoras aplicaram aumentos que variam entre R$ 4 e R$ 8 no produto.
A entidade afirma que os reajustes pressionam os custos das revendas e podem chegar ao consumidor final. O setor também cobra maior transparência sobre os critérios utilizados pelas distribuidoras para definir os novos valores.
Com os caminhões impedidos de realizar a destroca, os revendedores ficam sem acesso aos botijões que seriam levados aos estabelecimentos. Caso a mobilização continue, a reposição dos estoques poderá ser afetada.
Gás do Povo também está entre as reivindicações
Outro ponto da mobilização é o funcionamento do programa Gás do Povo. O sindicato questiona o valor recebido pelos revendedores nas operações vinculadas ao programa e defende uma revisão da remuneração.
O programa federal garante a recarga gratuita do botijão de 13 kg para famílias elegíveis e utiliza revendas cadastradas para realizar a troca. A Caixa Econômica Federal informa que é responsável pelo pagamento do valor de referência da recarga aos estabelecimentos participantes.
Segundo a entidade representativa dos revendedores, o valor atualmente praticado não seria suficiente para cobrir os custos envolvidos na compra e na logística de distribuição dos botijões.
Abastecimento pode ser afetado
Ainda não há prazo definido para o encerramento da paralisação. A continuidade do movimento deve depender das negociações com distribuidoras e autoridades.
O sindicato afirma que uma interrupção prolongada pode comprometer gradualmente os estoques das revendas. A dimensão de um eventual impacto no abastecimento, porém, dependerá da duração e da adesão ao movimento.
A paralisação acontece em um setor que possui papel central na distribuição do GLP. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os revendedores são responsáveis pela aquisição, armazenamento, transporte e comercialização do gás de cozinha em recipientes transportáveis.
Até o momento, a categoria aguarda uma abertura de negociação para discutir os reajustes e as condições do Gás do Povo. Enquanto isso, os caminhões permanecem parados em Goiânia, dificultando a reposição dos botijões destinados às revendas de Goiás.







