Supermercado vira maior dor de cabeça no orçamento das famílias em Goiás
Encher o carrinho continua sendo o maior desafio financeiro para as famílias em Goiás. Segundo levantamento da Serasa em parceria com o Opinion Box, o gasto médio mensal com supermercado chega a R$ 890. Ao mesmo tempo, a alimentação é a principal prioridade de pagamento e também a despesa mais difícil de manter em dia.
O dado revela o impacto direto da inflação no orçamento doméstico. Assim, o poder de compra do trabalhador é corroído antes mesmo de chegar ao caixa. Embora o índice geral de Alimentos e Bebidas tenha registrado alta de apenas 0,03% em novembro de 2025, a sensação de aperto persiste.
Carnes puxam a inflação da cesta básica
Apesar da estabilidade aparente, os bastidores mostram pressão seletiva nos preços. Em Goiás, a inflação da cesta básica é influenciada principalmente por itens de maior valor agregado. Entre eles, destacam-se as proteínas animais.
As carnes bovinas lideraram as altas recentes. O contrafilé subiu 2,12%, enquanto o acém registrou aumento de 1,73% em um mês, conforme dados do Instituto Mauro Borges (IMB). Dessa forma, mesmo com quedas em outros produtos, o ticket médio do supermercado permanece elevado.
Além disso, as carnes têm forte peso cultural e alimentar no estado. Por isso, quando esses itens sobem, o impacto no orçamento é imediato. Como consequência, o consumidor precisa substituir produtos ou reduzir quantidades.
Quedas pontuais aliviam, mas não resolvem
Por outro lado, alguns alimentos apresentaram recuo nos preços. O tomate caiu 11,81%, o arroz teve redução de 4,22% e o feijão carioca recuou 3,59%. Esses dados ajudam a equilibrar parcialmente o orçamento mensal.
Ainda assim, a percepção de custo de vida elevado continua. Isso ocorre porque o grupo Alimentação em Domicílio é sensível a fatores climáticos e logísticos. Portanto, há incerteza constante sobre novos reajustes.
Itens como óleos e gorduras registraram variação de -0,08%. Embora o número indique estabilidade, os preços seguem em patamares considerados altos por muitos consumidores.
Mudança de hábitos e insegurança financeira
Além das compras no supermercado, a pesquisa analisou os gastos com alimentação fora de casa. Em Goiás, o valor médio mensal é de R$ 220. No entanto, muitas famílias reduziram essa despesa para priorizar refeições preparadas em casa.
Segundo o levantamento, apenas 19% dos moradores do Centro-Oeste consideram fácil gerenciar os pagamentos atuais. Assim, cresce a preocupação com o equilíbrio financeiro.
Como as despesas essenciais — supermercado, moradia e energia elétrica — consomem grande parte da renda, o supermercado se torna a principal “variável de ajuste”. Quando a conta de luz sobe, por exemplo, o consumidor corta itens supérfluos do carrinho. Em 2025, a energia acumulou alta de 30%, o que intensificou essa estratégia.
A pesquisa foi realizada pelo Opinion Box para a Serasa entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026. Ao todo, 6.063 pessoas participaram do estudo. A margem de erro é de 1,2 ponto percentual.
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7

