Sistema agroflorestal produz alimentos e dobra o carbono estocado no solo do Cerrado
Um experimento conduzido pela Embrapa em Goiás comprovou que o sistema agroflorestal no Cerrado foi capaz de dobrar o carbono armazenado no solo e, ao mesmo tempo, manter a produção de alimentos. O estudo foi divulgado nesta segunda-feira, 28 de abril, após seis anos de avaliações na Fazenda Capivara, em Santo Antônio de Goiás, e aponta ganhos ambientais e produtivos relevantes para o campo goiano.
Segundo a pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão, o carbono orgânico do solo passou de cerca de 14 para mais de 27 toneladas por hectare na camada de até 20 centímetros de profundidade. O acúmulo médio foi de 2,24 toneladas por hectare ao ano, índice considerado expressivo em comparação ao cultivo convencional de soja e milho.
Modelo alia produção agrícola e recuperação ambiental
O sistema implantado pelos pesquisadores combinou árvores nativas do Cerrado, adubação verde com crotalária e cultivo de feijão nas entrelinhas. Mesmo com a presença das espécies arbóreas, o feijoeiro apresentou produtividade superior a mil quilos por hectare durante o período analisado.
De acordo com o pesquisador Agostinho Didonet, idealizador do projeto, a proposta demonstra que é possível conciliar segurança alimentar com práticas sustentáveis dentro de sistemas agroecológicos adaptados às condições climáticas do Cerrado.
A formação contínua de matéria orgânica no solo ocorreu por meio da deposição de folhas, galhos e biomassa vegetal, além do uso de fertilizantes orgânicos e biofertilizantes. Esse processo aumentou a fertilidade, melhorou a retenção de nutrientes e favoreceu a captura de carbono atmosférico para dentro do solo.
Experiência em Goiás inspira propriedades rurais
A Embrapa informou que o modelo desenvolvido em Santo Antônio de Goiás já começou a ser replicado em propriedades rurais do interior goiano, em parceria com a Emater Goiás e a Universidade Federal de Goiás.
A expectativa é de que sistemas semelhantes possam ganhar espaço em municípios agrícolas do Sudoeste Goiano, região onde cresce a busca por alternativas capazes de unir produtividade, conservação do solo e redução dos impactos climáticos no campo.
Para especialistas envolvidos no monitoramento climático da pesquisa, a adoção do sistema agroflorestal amplia a biodiversidade, melhora o microclima das lavouras, ajuda na recuperação de áreas degradadas e ainda cria novas possibilidades de renda ao produtor rural com madeira, frutos e outros componentes florestais.
Tecnologia reforça debate sobre agricultura sustentável no Cerrado
Os resultados chegam em um momento em que produtores de Goiás enfrentam desafios ligados ao aumento das temperaturas, irregularidade das chuvas e necessidade de preservar a fertilidade do solo sem comprometer a rentabilidade das lavouras.
Com a validação científica da Embrapa, o sistema agroflorestal passa a ser visto como uma alternativa concreta para diversificar a produção e fortalecer a sustentabilidade da agricultura goiana, especialmente em regiões estratégicas do agronegócio estadual.
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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